
19/01/2016
Quando se fala em fenômenos geológicos, vêm à mente eventos poderosos, como erupções vulcânicas e terremotos, ou processos lentos, como a erosão e o depósito de sedimentos em rios, lagos e oceanos. Mas poucas pessoas imaginavam que a Humanidade mudaria a face da Terra de forma tão abrupta que poderia ser considerada uma força de transformação planetária equiparável ao meteoro que dizimou os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos. É isso, porém, que observam as dezenas de cientistas do grupo criado pela Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS), mais antigo órgão científico da União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS), para montar a proposta para adoção oficial do Antropoceno, a “era dos humanos”, no sistema de divisão do tempo geológico do planeta, sucedendo a época atual, o Holoceno.
— Vivemos numa época em que as pessoas afetaram tanto os processos geológicos da Terra, em alguns casos de forma tão permanente, que estamos criando um novo tipo de geologia, um novo estrato com fósseis, um padrão da química nas rochas e outras evidências do tipo — conta ao GLOBO o cientista Jan Zalasiewicz, professor da paleobiologia da Universidade de Leicester, no Reino Unido, e presidente do grupo de trabalho da ICS, que apresentará a proposta no próximo Congresso Internacional de Geologia, em agosto, na África do Sul. — Se tivermos geólogos daqui a 1 milhão de anos, ou mesmo 100 milhões de anos, eles verão o estrato que representa esta época em particular e reconhecerão que algo aconteceu, que o mundo mudou, assim como quando um meteoro atingiu a Terra e extinguiu os dinossauros há milhões de anos.
Segundo Zalasiewicz, embora algumas evidências sejam facilmente discerníveis hoje, elas não são tão relevantes diante da enorme escala do tempo geológico. É o caso, por exemplo, dos elementos radioativos espalhados a partir da explosão das primeiras bombas atômicas nos anos 1940, ou o ar com alta concentração de dióxido de carbono preso no gelo polar e de glaciares pelo mundo. Outras, no entanto, têm um caráter que as tornam potencialmente muito mais duráveis, ou mesmo permanentes, e devem servir de base para a decisão sobre a oficialização do Antropoceno. Neste grupo, ele destaca as alterações radicais que a Humanidade fez na biosfera, tanto com o extermínio de espécies de animais e plantas numa velocidade só vista nas grandes extinções em massa do passado quanto com a sua redistribuição pela superfície da Terra.
— As alterações que estamos fazendo na distribuição das espécies de animais e plantas no planeta é impressionante, de uma forma muito mais abrangente e efetiva da que qualquer outro processo geológico no passado — comenta ele.
Leia a matéria completa em O Globo
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