
12/01/2016
As três bacias hidrográficas mais ricas em biodiversidade no planeta estão ameaçadas por um mesmo "inimigo" comum: a construção de usinas hidrelétricas.
A análise é de um grupo de cientistas de países como Brasil, EUA, Alemanha, Canadá e Camboja. Está na revista científica "Science" desta semana, em uma seção que traz debates de cientistas sobre temas atuais.
De acordo com os cientistas, um terço dos peixes de água doce do mundo vive nas bacias hidrográficas da Amazônia, do Congo (África) e de Mekong (no sudeste asiático). Esses animais convivem com a construção de usinas, de represas e de barragens para a produção de energia elétrica.
O problema é que boa parte desses peixes migra conforme a vazante dos rios. Com as barragens, eles podem ficar pelo caminho.
"Há espécies de alto valor que viajam centenas de quilômetros em resposta a pulsos de inundação sazonal", escrevem os autores.
Pelo menos 450 barragens ainda devem ser construídas nas usinas dessas três bacias, aponta o estudo. Só o rio Mekong, por exemplo, já tem 370 barragens e deve ganhar mais cem delas nos próximos anos.
No Brasil, o debate é sobre a construção da usina Belo Monte, que está sendo erguida em Altamira, no Pará. Uma obra controversa de R$ 30 bilhões no coração da floresta amazônica.
Quando estiver funcionando, a usina poderá produzir, estima-se, energia doméstica para 18 milhões de pessoas.
De acordo com o trabalho da "Science", Belo Monte pode estabelecer um recorde mundial de perda de biodiversidade. Isso porque há um número excepcional de espécies que só vive ali.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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