
08/01/2016
Quem passeia pela trilha do Morro da Peça, em Itaipu, se depara, logo na entrada, com um extenso jardim de espada-de-são-jorge, que cerca os dois lados do caminho. A planta, muito usada para ornamentação e que tem fama de afastar mau-olhado, foi trazida por algum visitante, que, provavelmente, tinha o intuito de deixar o caminho mais bonito. É, entretanto, exótica e prejudica o crescimento de outras espécies. No Morro das Andorinhas, uma área cheia de biodiversidade ganhou mais um elemento: grama sintética. Nas trilhas do Córrego dos Colibris e do Bananal, intervenções semelhantes feitas a longo prazo podem erradicar espécies nativas. Com o objetivo de analisar as trilhas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset) e levar alunos dos ensinos médio e fundamental a entenderem a dinâmica de cada um desses quatro ecossistemas, quatro universitários do Instituto de Biologia da UFRJ, sob a coordenação da professora e doutora Cássia Sakuragui e em parceria com o Peset, passaram um ano coletando material botânico das trilhas. O relatório do projeto de extensão, que inclui informações e detalhes específicos sobre cada ambiente, foi enviado quinta-feira para a administração do Peset, que instalará placas informativas em janeiro e patrocinará a visita de estudantes.
Apesar de essencial, a troca de conhecimentos entre as universidades e os estudantes dos ensinos médio e fundamental ainda é incipiente, afirma Cássia. A proposta principal do projeto é, portanto, incentivar excursões escolares aos locais, já que todas as trilhas têm níveis de dificuldade fácil e moderado. O Peset fica encarregado de promover o passeio junto às escolas. Mas, com as placas instaladas, toda a cidade vai sair ganhando. O trabalho é uma forma lúdica de estimular a educação ambiental.
— Conversando com a equipe do Peset, fui informada de que a comunidade do entorno do parque tem dificuldade de entender a importância de manter e respeitar o ambiente natural. As pessoas não respeitam a mata, e muitas delas têm medo de répteis, por exemplo. Queremos trabalhar com escolas, levar os estudantes às trilhas, mas o material didático que estamos preparando vai servir para qualquer pessoa que possa visitar o parque — acrescenta Cássia.
A universitária Gabriela Gomes, encarregada de mapear o Morro da Peça, cujo caminho é percorrido em apenas dez minutos, conta que, além das espécies exóticas que chamam muita atenção dos especialistas, a vista do alto da trilha é uma ótima forma de estudar as interações entre os ecossistemas que compõem o parque. É possível ver mar, lagoa, laguna, manguezal, costão rochoso e duna. Com as placas informativas que reproduzem a paisagem, os visitantes conseguirão reconhecer cada um deles. Todas as trilhas terão suas observações específicas.
Saiba mais em O Globo
Aranha-lobo ‘dá um passeio’ pelo Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador
13/08/2026
Fotógrafo brasileiro registra eclipse total na Espanha e flagra coroa solar e ‘anel de diamante’; veja IMAGENS
13/08/2026
Nova espécie de planta é descoberta em fotografias de observação de aves no ES
13/08/2026
Saúde das baterias impulsiona economia circular dos carros elétricos
13/08/2026
Calçada da ´Fauna´: conheça espécie de animal vermelho que ganhou pegada eternizada em Gramado
13/08/2026
Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas
13/08/2026
