
17/11/2015
Na semana passada, o Ministério da Saúde declarou pela primeira vez estado de emergência nacional devido ao grande aumento nos casos de microcefalia em alguns estados do Nordeste, especialmente em Pernambuco. E embora este tipo de má formação possa ter muitas causas ambientais e genéticas, de desnutrição materna à exposição a substâncias nocivas durante a gravidez e síndromes como Down e Rett, chamou a atenção a suspeita, ainda sem comprovação científica, de que os casos estariam relacionados a surtos do vírus zika que atingiram a mesma região desde o fim do ano passado.
Como o zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo vetor da dengue, chicungunha, febre amarela e outras doenças, a luta contra o vírus que se tornou um novo grande temor das gestantes brasileiras também tem que passar pelo combate ao inseto, uma guerra que não só o Brasil como outros países vêm perdendo há décadas. Novas armas criadas pela ciência, no entanto, são uma esperança de finalmente virar este cenário.
Entre os “soldados” que aguardam a chance de entrar nesta linha de frente estão versões geneticamente modificadas do próprio Aedes aegypti. Desenvolvidos pela empresa britânica Oxitec, os insetos, da linhagem batizada OX513A, nascem com uma disfunção metabólica e, ao cruzarem com as fêmeas selvagens, transmitem o defeito para a prole, fazendo com que morram ainda na fase de larva. Como consequência, a quantidade de mosquitos nas áreas onde estes machos — que não picam pessoas — são liberados cai drasticamente, o que se espera seja acompanhado por uma redução no número de novos casos de doenças relacionadas.
Em teste no Brasil desde 2012, os mosquitos transgênicos já demonstraram ser capazes de reduzir em até 95% a infestação pelo inseto, assim como seguros para o meio ambiente e a população. Os resultados destes ensaios levaram a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a aprovar seu uso em abril do ano passado. Desde então, porém, a Oxitec espera o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para sua comercialização, o que os mantêm fora da batalha até agora.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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