
10/11/2015
Assim como já ocorre com o pré-sal, o Estado do Rio poderá se tornar o coração da exploração de uma nova fronteira marítima. Na segunda-feira, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (Isba) — órgão ligado à ONU que regulamenta a exploração na área internacional dos oceanos — assinam contrato para o Brasil explorar uma área de três mil quilômetros quadrados além da zona costeira, no meio do Atlântico Sul, em águas internacionais. No Elevado do Rio Grande, como se chama a formação rochosa no fundo do oceano a 1.500 quilômetros do Rio, o governo planeja, inicialmente, conhecer a biodiversidade local e, futuramente, explorar minérios raros e valiosos no fundo do mar.
O CPRM espera que a iniciativa estimule a criação de um parque inovador com novas tecnologias e equipamentos de ponta para auxiliar nas pesquisas, com empresas privadas, universidades e cooperação com outros países. As expedições partirão das instalações do CPRM no município do Rio.
— Há aqui a possibilidade de criação de um polo tecnológico, não só de geologia marinha, mas de ecologia — disse Roberto Ventura, diretor de geologia e recursos minerais do CPRM, estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia.
Pela concessão, o Brasil vai se comprometer a investir pelo menos US$ 11 milhões no período de cinco anos no conhecimento da região. Com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o CPRM já investiu R$ 60 milhões para mapear a região e encontrar os blocos mais promissores, em uma área quase 50 vezes maior do que a que foi inicialmente analisada.
Segundo Ventura, com o acordo, o Brasil passa a incorporar um seleto grupo de países que detêm apenas 24 contratos com a Isba atualmente para explorar áreas internacionais nos mares do mundo, entre eles China, Noruega, Alemanha, Japão e Coreia. O Brasil também será o primeiro país a ter direito de pesquisar uma área do Atlântico Sul. Atualmente, apenas Rússia e França têm áreas de pesquisa no Atlântico, mas na faixa equatorial.
— Melhorar a infraestrutura brasileira não é só construir estradas, usinas, ferrovias, mas encontrar conhecimento que possa viabilizar o desenvolvimento econômico e a atração de investimentos. A pesquisa em meio ambiente e geologia marinha é um avanço nessa linha — disse Ventura.
A exploração de minérios no mar ainda tem custos elevados — como o pré-sal, na origem — e gera uma grande preocupação ambiental. As primeiras expedições do Brasil dentro do acordo com o Isba vão justamente fazer um levantamento da biodiversidade dos 150 blocos concedidos, para identificar as áreas ambientalmente sensíveis. A ideia, segundo Ventura, é estabelecer uma linha de base ambiental para o monitoramento da região.
Saiba mais em O Globo
Aranha-lobo ‘dá um passeio’ pelo Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador
13/08/2026
Fotógrafo brasileiro registra eclipse total na Espanha e flagra coroa solar e ‘anel de diamante’; veja IMAGENS
13/08/2026
Nova espécie de planta é descoberta em fotografias de observação de aves no ES
13/08/2026
Saúde das baterias impulsiona economia circular dos carros elétricos
13/08/2026
Calçada da ´Fauna´: conheça espécie de animal vermelho que ganhou pegada eternizada em Gramado
13/08/2026
Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas
13/08/2026
