
03/11/2015
Às vésperas da Cúpula do Clima de Paris, marcada para o dia 30 de novembro, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) divulgou relatório nesta sexta-feira que agrega as 119 propostas, de 146 países, para o controle e redução das emissões de gases estufa. E o resultado não é animador. Segundo o documento, mesmo que todos os compromissos sejam cumpridos, não será possível manter o aumento médio das temperaturas globais abaixo do teto definido de 2 graus Celsius até o fim deste século.
— As Contribuições Nacionalmente Determinadas (INDCs, na sigla em inglês, metas voluntárias propostas por cada país) têm a capacidade de limitar o aumento futuro da temperatura em cerca de 2,7 graus Celsius até 2100, de modo algum suficiente, mas muito abaixo das estimativas de quatro, cinco ou mais graus de aquecimento projetadas por muitos antes das INDCs — ponderou Christiana Figueres, chefe da UNFCCC.
De acordo com o documento, as emissões vão continuar a crescer, mas em ritmo substancialmente menor. As estimativas apontam níveis de emissões de 55,2 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) em 2025 e 56,7, em 2030. Para alcançar as metas globais de aquecimento em até 2 graus Celsius, os níveis de emissões deveriam ser 19% e 35% menores em 2025 e 2030, respectivamente.
Contudo, a UNFCCC ressalta que mesmo “que as partes não reforcem as ações de mitigação até 2030 para além do previsto nos INDCs, a possibilidade de manutenção do aumento da temperatura abaixo de 2 graus Celsius permanece. Entretanto, os cenários indicam que isso só poderá ser alcançado com taxas de redução das emissões anuais e custos relativos substancialmente maiores”.
As consequências de um aumento das temperaturas médias globais acima de 2 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais é incerto. O pesquisador André Lucena, do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, explica que o teto definido é, até certo ponto, político. A preocupação da comunidade científica é que quanto maior for o aquecimento, menor será a compreensão sobre o funcionamento do sistema climático, já que os modelos atuais são baseados em dados históricos. E é a incerteza que preocupa.
— O passado não consegue mais explicar o futuro. Quanto maior o aquecimento, maior a incerteza — diz Lucena. — Existem debates sobre mecanismos que não são bem conhecidos, como o derretimento das geleiras do Ártico, mas há um consenso: com o aumento das temperaturas em dois graus, o impacto já será severo.
Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, destaca que o mundo já está sentindo os efeitos do aquecimento. De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média global aumentou 0,85 grau Celsius entre 1880 e 2012, e os fenômenos extremos atípicos se multiplicam. No Brasil, por exemplo, a seca persiste no Sudeste, com ondas inesperadas de calor, como os 42,8 graus Celsius registrados no Rio de Janeiro há duas semanas, um recorde para a estação.
Saiba mais em O Globo
Aranha-lobo ‘dá um passeio’ pelo Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador
13/08/2026
Fotógrafo brasileiro registra eclipse total na Espanha e flagra coroa solar e ‘anel de diamante’; veja IMAGENS
13/08/2026
Nova espécie de planta é descoberta em fotografias de observação de aves no ES
13/08/2026
Saúde das baterias impulsiona economia circular dos carros elétricos
13/08/2026
Calçada da ´Fauna´: conheça espécie de animal vermelho que ganhou pegada eternizada em Gramado
13/08/2026
Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas
13/08/2026
