
29/10/2015
Entranhada entre o Maciço da Pedra Branca e o oceano e marcada por shoppings e arranha-céus, a Barra tem redutos naturais desconhecidos por muitos de seus moradores. Um deles está sendo revitalizado pelo poder público, após anos de abandono. Atrás dos shoppings Downtown e Città America, beirando a Lagoa da Tijuca, está o Parque Fazenda da Restinga, apelidado de “Terra das Borboletas”, que abriga vegetação de restinga e manguezal, mais espécies ameaçadas de fauna e flora. Além de promover o reequilíbrio ecológico na área, a Secretaria municipal de Meio Ambiente (SMAC) quer que o local seja visto como rota de passeio, e por isso placas informativas sobre o ecossistema local e trilhas serão instaladas. Paralelamente, a pasta vai dar início, em breve, à recuperação das faixas marginais de proteção do Canal de Marapendi, num total de 3,5 hectares. Após a conclusão dos dois projetos, estará aberto o caminho para a expansão da ciclovia da região em cerca de 700 metros.
A secretaria, em parceria com a Coordenadoria de Recuperação Ambiental (CRA) e com apoio de Comlurb, Subprefeitura da Barra e Jacarepaguá, Fundação Parques e Jardins, Secretaria Especial de Ordem Pública e Secretaria de Conservação, já iniciou a recuperação do Parque Fazenda da Restinga, trecho da Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi. O mote do trabalho será a restauração do ecossistema degradado, com o resgate do ambiente natural original.
Coordenadora do projeto e geógrafa da SMAC, Silma Santa Maria explica que o serviço está na fase de limpeza e preparação das entradas do parque, fundamental para a realização do trabalho botânico. A expectativa é que tudo dure cerca de seis meses.
— Já retiramos dez caminhões de lixo e entulho da área de vegetação. Um grave problema no local é o descarte de material de obra no terreno, muitas vezes sem conhecimento da administração dos shoppings próximos, o que degrada o solo e é prejudicial à flora e à fauna. Estamos combatendo também o estacionamento irregular, que destrói o meio-fio e a vegetação. Esperamos que com a pintura de novas faixas e instalação de placas viárias o problema seja resolvido, orientando o cidadão a agir corretamente.
Com o terreno preparado, inicia-se a fase técnica. Esta semana paisagistas começaram a trabalhar no parque.
— Já tenho verba para o início da recuperação das trilhas, e a plantação das espécies nativas será feita por meio de medidas compensatórias. Não é um serviço rápido, por haver necessidade de cuidado e análise precisa de biólogos. Mas não posso ficar parada; então, faço o que consigo no momento. Também não é algo muito custoso: trata-se mais de conservação que de novos investimentos, e também contamos com apoio dos shoppings. Ainda quero elaborar placas informativas na trilha, com informações sobre as espécies ameaçadas de extinção que podem ser encontradas aqui — conta Silma.
Saiba mais em O Globo
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