
15/10/2015
Não bastasse 2015 registrar o recorde no número de mortes causadas pela dengue no país — 693 apenas nos oito primeiros meses do ano —, há evidências de que o próximo verão será o cenário perfeito para a multiplicação dos criadouros de Aedes aegypti. Isso porque a previsão é de que enfrentemos o El Niño mais forte das últimas duas décadas. O fenômeno, que aquece as águas do Pacífico, promete trazer ao continente uma estação mais quente e chuvosa do que o normal. Cenário ideal para o mosquito, que se prolifera com o calor e a umidade. Por conta disso, especialistas e autoridades sanitárias temem uma elevação dos casos de dengue, se não houver prevenção eficaz.
A estreita relação entre a doença e o El Niño foi comprovada por uma pesquisa liderada pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, que compara os períodos de epidemias de dengue no sudeste asiático com a incidência do fenômeno climático. Os cientistas analisaram relatórios mensais de vigilância sanitária feitos durante 18 anos, com um total de 3,5 milhões de casos notificados no sudeste da Ásia. Segundo eles, a conclusão de que o El Niño ajuda a acelerar a transmissão da doença pode ser estendida a outras regiões tropicais e subtropicais do mundo.
— Temperaturas elevadas criam a circunstância ideal para epidemias de dengue em grande escala, espalhadas por uma ampla região. A capacidade de prever e de se preparar para isso deve levar a esforços mais eficazes de vigilância e controle — afirma o professor de Epidemiologia Willem van Panhuis, principal autor da pesquisa, publicada esta semana na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
De acordo com o estudo, o vírus da dengue provoca no mundo uma média de 390 milhões de infecções a cada ano. No Brasil, foram registrados, somente até agosto, 1.416.179 casos prováveis de dengue. Esse número quase ultrapassou a quantidade de todo o ano de 2013, quando houve o recorde de 1.452.489 ocorrências.
Já em relação a mortes provocadas pela doença, o maior índice anual foi alcançado agora. Foram 693 até agosto, cerca de 40% a mais do que no ano passado, quando houve 407 mortes. Este é o recorde desde que a doença começou a ser monitorada em detalhes, em 1990.
Infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, Celso Ramos destaca a grande influência do clima sobre a taxa de incidência de qualquer doença transmitida por mosquitos. Esse é o caso não só da dengue, mas da febre Chicungunha e do Zika, cujo vírus também é carregado pelo Aedes aegypti. O médico explica que o mosquito não controla a temperatura do próprio corpo, então esta sempre depende da temperatura do ambiente. E, quanto mais quente o inseto fica, mais o vírus se multiplica dentro dele, tornando-o mais apto a fazer a transmissão.
Leia a matéria completa em O Globo
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