
06/10/2015
As regiões metropolitanas do Brasil, como as de São Paulo e Rio de Janeiro, estão longe de respeitar os níveis de qualidade do ar recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Entre os poluentes que mais prejudicam a saúde, quase todas as estações medidoras passam dos limites.
É o caso do material particulado fino (MP 2,5), uma poeira que penetra fundo no trato respiratório. Todos os 27 aparelhos paulistas e fluminenses que monitoram esse poluente registram médias anuais acima do padrão (10 microgramas por metro cúbico).
Não é muito diferente a realidade de outras substâncias prejudiciais, como o particulado mais espesso (MP 10) e o ozônio (O3). Há farta literatura médica mostrando sua relação com mortes prematuras por doenças cardiovasculares e respiratórias.
As substâncias danosas emitidas por veículos, indústria e construção civil não escolhem vítimas entre regiões ricas e pobres da metrópole. Em São Paulo, nem mesmo estações localizadas em bairros nobres como Cerqueira César, Cidade Universitária, Ibirapuera e Pinheiros escapam do mau resultado.
Pinheiros, aliás, está perto de descumprir mesmo a referência adotada em São Paulo para o perigoso particulado fino.
A população poderá acompanhar esses índices pela internet, com o lançamento da Plataforma da Qualidade do Ar (www.qualidadedoar.org.br), previsto para este sábado (3).
A base de dados, que reúne os níveis oficiais de poluição atmosférica publicados no Brasil de 2000 a 2014, foi organizada pelo Iema (Instituto Energia e Meio Ambiente), uma ONG paulistana.
Contou com a colaboração dos órgãos ambientais de cada Estado, após longa negociação com os respectivos governos.
As redes regionais de monitoramento são muito díspares. As únicas abrangentes e bem gerenciadas são a paulista e a fluminense. Mas todos os dados existentes no Brasil estão na plataforma e podem ser consultados por estação, por poluente e por Estado -inclusive montando comparações.
Para Ademilson Zamboni, do Iema, a importância da página está em dar transparência dos dados para os pesquisadores e o público, além de "colocar o tema da poluição do ar, com a devida importância, na agenda ambiental brasileira, inclusive como reforço à mudança da regulação obsoleta ditada nacionalmente pelo Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente]".
Leia a matéria na íntegra na Folha de S. Paulo
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