UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Por que o Brasil massacra 1 milhão de animais por dia em suas estradas?

06/10/2015

BR-101, norte do Espírito Santo, setembro de 2015. Um caminhoneiro sente um cheiro forte e localiza uma anta - o maior mamífero terrestre brasileiro - na margem da pista, em estado avançado de decomposição.
Cinco meses antes, no mesmo trecho da rodovia, biólogos encontraram uma fêmea adulta de harpia, a maior ave de rapina das Américas, debilitada por fraturas e hematomas. Por ali, restos de retrovisor de caminhão. No mês anterior, a vítima fora uma onça-parda.
As cenas com espécies ameaçadas de extinção são um retrato de um filme que não sai de cartaz no Brasil: a matança de animais por atropelamentos em estradas.
Essa é, de longe, a principal causa de morte de bichos silvestres no país, superando caça ilegal, desmatamento e poluição. São 15 animais mortos por segundo, ou 1,3 milhão por dia e até 475 milhões por ano, segundo projeção do CBEE (Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas), da Universidade Federal de Lavras (MG).
Quem puxa a lista são os pequenos vertebrados, como sapos, cobras e aves de menor porte - respondem por 90% do massacre, ou 430 milhões de bichos. O restante se divide em animais de médio porte (macacos, gambás), com 40 milhões, e de grande porte (como antas, lobos e onças), com 5 milhões.
A situação, dizem especialistas, é o resultado natural para um país que desconsiderou os bichos ao planejar as rodovias e ainda dá os primeiros passos na adoção de medidas para minimizar os impactos das vias.
"Está acontecendo uma desgraça total e não temos tempo nem de estudar o que ocorre", disse à BBC Brasil Áureo Banhos, professor do departamento de biologia da Universidade Federal do Espírito Santo.
Banhos coordena um time que monitora os atropelamentos no trecho de 25 km da BR-101 que corta uma das manchas verdes mais intactas do país. É um mosaico de 500 km² (ou um terço da cidade de São Paulo) de unidades de conservação rasgado pela pista única da via.
Um exemplo do alerta do professor: das 70 espécies de morcegos identificadas na região, 47 já foram atropeladas na estrada - e uma delas era desconhecida da ciência até então. Ao todo, 165 espécies de diferentes animais perderam a vida por ali (10 anfíbios, 21 répteis, 63 aves e 71 mamíferos) – são 50 mortes por dia apenas nesse ramo da rodovia, ou 20 mil por ano.
Essa floresta integra as reservas de mata atlântica da Costa do Descobrimento, patrimônio natural da humanidade desde 1999. Por ser um raro fragmento contínuo de mata, é o último refúgio na região para várias espécies ameaçadas, como a anta, a onça-pintada, o tatu-canastra e a harpia.
O fotógrafo Leonardo Merçon, do Instituto Últimos Refúgios, fez um trabalho de registro da Reserva Biológica de Sooretama, a maior peça do mosaico verde da região. Impressionado pelos atropelamentos, acabou se engajando nas ações de conscientização para a gravidade do problema.

A matéria completa pode ser lida no G1

Novidades

Aranha-lobo ‘dá um passeio’ pelo Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador

13/08/2026

Uma aranha-lobo, também conhecida no Brasil como aranha-de-jardim ou aranha-de-grama, foi fotografad...

Fotógrafo brasileiro registra eclipse total na Espanha e flagra coroa solar e ‘anel de diamante’; veja IMAGENS

13/08/2026

O fotógrafo brasileiro Kiko Fairbairn registrou nesta quarta-feira (12), em Castrojeriz, na Espanha,...

Nova espécie de planta é descoberta em fotografias de observação de aves no ES

13/08/2026

Um pesquisador identificou uma nova planta por meio de fotos de pássaros registradas em uma reserva ...

Saúde das baterias impulsiona economia circular dos carros elétricos

13/08/2026

O crescimento acelerado dos veículos elétricos e híbridos no Brasil traz um novo desafio para a mobi...

Calçada da ´Fauna´: conheça espécie de animal vermelho que ganhou pegada eternizada em Gramado

13/08/2026

O mais novo "astro" da "Calçada da Fauna" atende pelo nome de guará-rubro. A pegada da ave foi regis...

Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas

13/08/2026

A vegetação nativa ocupava 79% do território brasileiro em 1985. Quatro décadas depois, essa partici...