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Desastres naturais forçam migrações de 60 mil por dia

06/10/2015

O Pentágono chama de “multiplicação de ameaças”. O secretário de Estado americano, John Kerry, alerta para os “novos refugiados”. Sua antecessora, a pré-candidata à Presidência dos EUA Hillary Clinton, ressalta a “guerra pela água”. Paddy Ashdown, um político veterano britânico, acredita que o planeta vive uma “crise humanitária”. Não importa o termo, a população desalojada pelas mudanças climáticas e pelas catástrofes naturais preocupa autoridades mundiais. Estima-se que, desde 2008, cerca de 22,5 milhões de pessoas deixaram suas casas, por ano, devido a eventos extremos do clima — o equivalente a 62 mil casos diários. Este cenário ainda pode piorar.
Essas pessoas são desabrigadas por problemas como a desertificação de terras, ou mesmo por catástrofes como tufões e inundações, mais comuns devido às mudanças no clima. A odisseia em busca de moradia pode começar dentro do próprio país. Normalmente, os refugiados migram do campo para áreas urbanas, onde enfrentam problemas, já que habilidades como o cultivo agrícola não podem ser aproveitadas.
— Cada centro urbano deve desenvolver uma forma para reduzir o contraste entre a elite local e os miseráveis que chegam — defendeu Beatriz Sanches, professora de Direito Internacional da Universidade de Los Andes, na Colômbia, durante o Encontro das Américas sobre as Mudanças Climáticas, que aconteceu em Bogotá. — Mesmo diante das dificuldades das zonas rurais, deixamos que um Deus Todo Poderoso resolva tudo.
Javier Gonzaga, da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade de Caldas, também da Colômbia, assinala que os migrantes climáticos não conseguem mais manter os meios seculares que garantiam sua sobrevivência.
— Não é possível saber se a principal causa da migração é a pobreza ou a destruição do ecossistema rural. Ambos estão unidos — explica Gonzaga. — A vulnerabilidade social, associada às migrações ligadas ao clima, está aumentando com diferentes intensidades em cada país. Alguns cenários alarmistas previstos pela ONU para 2070 já podem ocorrer no meio do século.

Saiba mais em O Globo

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