
06/10/2015
Entre um cigarro e outro, o inglês Sir Robin Knox-Johnston, de 76 anos, monitora da Marina da Glória a chegada dos barcos da Clipper Race na Baía de Guanabara. Criador desta competição bienal que permite a velejadores sem tanta experiência darem uma volta ao mundo, o simpático marujo sabe que seu conhecimento sobre os mares é fundamental para o sucesso dessa aventura que dura 11 meses em um percurso de 64 mil quilômetros.
Sir Robin fica no Rio até quarta-feira, quando os 12 barcos da competição e seus 690 velejadores de 44 nacionalidades seguem em direção à Cidade do Cabo, na África do Sul. Até lá, ele se arrisca no português — obrigado, por favor, café e cinzeiro são algumas das palavras que já domina — enquanto se mostra bem à vontade em trabalhar de frente para a Baía de Guanabara, uma conhecida sua há 45 anos.
— Acho que não existe lugar mais lindo no mundo para realizar uma competição de vela. Entendo a escolha da Baía como um dos palcos do Jogos do Rio — diz Sir Robin, falando que será impossível despoluir o local até a competição olímpica de vela. — As autoridades subestimaram o problema de poluição na Baía. Faltou senso crítico (do Comitê Olímpico Internacional) ao aceitar um compromisso (por parte do governo federal do Brasil) de que seria possível limpar a Baía em tão pouco tempo.
Primeiro homem a dar uma volta completa ao mundo sem escalas e sozinho a bordo de um veleiro (1968-69), Sir Robin tem propriedade empírica para falar sobre a qualidade das águas.
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