
15/09/2015
O uso de combustíveis fósseis pela Humanidade já está alterando a face do planeta e sua contínua queima ao ritmo atual pode levar ao praticamente completo desaparecimento da cobertura de gelo na Antártica, provocando uma elevação no nível do mar que destruiria cidades costeiras como o Rio, Nova York, Tóquio e Xangai. Em novo estudo publicado na edição desta semana do periódico científico “Science Advances”, um grupo de cientistas liderado por Ricarda Winkelmann, do Instituto de Pesquisas de Impactos do Clima de Potsdam, na Alemanha, avaliou diversos cenários para a utilização das atuais reservas destes recursos e calcula que sua queima total jogaria cerca de 10 trilhões de toneladas de carbono na atmosfera, provocando um gradual aquecimento do planeta ao longo de milhares de anos que faria a calota de gelo polar Sul derreter, lançando água suficiente nos oceanos para que eles subissem entre 50 e 60 metros.
- Se queimarmos todos os recursos de combustíveis fósseis ao nosso alcance, isso eliminaria a plataforma de gelo da Antártica, causando um aumento global de longo prazo do nível do mar sem precedentes na História humana – diz Ricarda. - Isso não aconteceria da noite para o dia, mas o ponto que dá um nó nas nossas cabeças é que nossas ações hoje já estão alterando a face do planeta Terra como conhecemos, a continuarão a fazê-lo por dezenas de milhares de anos. Se quisermos evitar que a Antártica fique sem gelo, temos que manter o carvão, gás e petróleo no subsolo.
Segundo os cientistas, os riscos de longo prazo disso acontecer aumentam a cada décimo de grau de aquecimento global. Atualmente, as emissões de gases do efeito estufa pela Humanidade já teriam desestabilizado a plataforma de gelo da Antártica Ocidental, cujo derretimento é observável, mas não foram suficientes para fazer o mesmo com a maior e mais maciça plataforma da Antártica Oriental. Assim, o fenômeno ainda contribui com menos de 10% do aumento visto no nível do mar, um acréscimo menor quando comparado com o provocado pela expansão térmica dos oceanos mais quentes ou pelo fluxo vindo do derretimento das geleiras mundo afora.
- Ao usarmos mais e mais energias fósseis, aumentamos o risco de acionarmos mudanças que talvez não sejamos capazes de interromper ou reverter no futuro – alerta Anders Levermann, também pesquisador no instituto de Potsdam e coautor do estudo. - A plataforma de gelo da Antártica Ocidental talvez já tenha sido levada a um estado de inexorável perda de gelo, seja como resultado da atividade humana ou não. Mas se quisermos deixar cidades como Tóquio, Hong Kong, Xangai, Calcutá, Hamburgo ou Nova York como nossa herança futura, precisamos evitar um estado deste na Antártica Oriental.
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