
08/09/2015
Para que a produção da cana seja adequada às necessidades sociais, econômicas e ambientais, o engenheiro agrônomo e bolsista do CNPq em doutorado, Ricardo de Oliveira Bordonal, despertou o interesse de fazer o inventário do balanço de gases efeito estufa vinculado à produção agrícola da cana-de-açúcar, visando identificar as principais fontes de emissões e também propor estratégias de manejo que possam diminuir essas emissões.
A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas do país, sendo o Brasil um dos maiores produtores de etanol e açúcar. Para que a produção da cana seja adequada às necessidades sociais, econômicas e ambientais, o engenheiro agrônomo e bolsista do CNPq em doutorado, Ricardo de Oliveira Bordonal, despertou o interesse de fazer o inventário do balanço de gases efeito estufa vinculado à produção agrícola da cana-de-açúcar, visando identificar as principais fontes de emissões e também propor estratégias de manejo que possam diminuir essas emissões. De acordo com o pesquisador, a preservação do carbono no solo está diretamente relacionada à produtividade agrícola, se insere no balanço de gases de efeito estufa associada à produção daquele produto (pegada de carbono) e possui uma relação direta com um fenômeno global, que é o efeito estufa adicional, e as mudanças climáticas globais.
Os resultados dos estudos desenvolvidos pelo bolsista foram publicados na Renewable & Sustainable Energy Reviews, renomada publicação internacional da área agrícola. De acordo com o artigo, a recente expansão da cana-de-açúcar tem levado à compensação de parte das emissões relacionadas às atividades agrícolas, destacando-se também a importância da substituição de combustíveis fósseis. “Cerca de 57% das emissões associadas ao cultivo da cana-de-açúcar foram compensadas especialmente pela fixação de carbono na biomassa e isso levou à redução do balanço de gases do efeito estufa de 481 para 217 teragramas de CO2 equivalentes até 2030. Além disso, é importante ressaltar que a substituição de combustíveis fósseis pelo uso de etanol no Brasil pode facilmente compensar essa emissões até 2030”, destaca Ricardo Bordonal, que faz o doutorado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), da Unesp de Jaboticabal, tendo como projeto de pesquisa o Balanço de gases de efeito estufa associado à produção de cana-de-açúcar no centro sul do Brasil: opções de mitigação e projeções futuras.
Os resultados mostram que as conversões de mata nativa, citrus e pastagem para cana-de-açúcar levam à perda dos estoques de carbono no solo, mas quando o compartimento biomassa é considerado, somente a conversão de pastagem para cana-de-açúcar resulta no sumidouro de carbono. “Na situação de conversão de pastagem para cana-de-açúcar, apresenta-se um balanço de carbono de -51 Mg CO2 por hectare que seria absorvido da atmosfera. A mudança do uso da terra de mata nativa para cana é a conversão que leva ao maior passivo ambiental em termos de balanço de carbono, apresentando uma emissão de 179 Mg CO2 ha”, ressalta Ricardo Bordonal.
Além disso, destaca que, como ocorreu na expansão da cana no período de 2006-2011, “evitar a conversão de citros, florestas plantadas e especialmente florestas naturais para cana é imperativo, enquanto ter essas expansões em áreas de pastagens torna-se desejável, garantindo os benefícios ambientais do etanol de cana-de-açúcar no Brasil em substituição aos combustíveis fósseis (gasolina), em se tratando de pegada de carbono ou balanço de gases de efeito estufa”.
Leia a matéria completa no site do CNPq
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