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Em oito meses, Humanidade consome os recursos disponíveis para o ano inteiro

18/08/2015

A Humanidade está no vermelho. Essa é a mensagem passada pela organização internacional Global Footprint Network, que calculou para esta quinta-feira, 13 de agosto, o Dia de Sobrecarga da Terra, conhecido em inglês como Overshoot Day. A data marca o limite em a demanda anual por bens e serviços fornecidos por mares e terras — frutas e vegetais, carne, peixe, madeira, algodão e absorção de dióxido de carbono — supera o que o ecossistema do planeta pode renovar em um ano.
O cálculo é feito há quinze anos, e, desde então, o marco é alcançado cada vez mais cedo. Em 2000, o Dia de Sobrecarga da Terra aconteceu no dia 1º de outubro; no ano passado, em 19 de agosto. A conta divide a biocapacidade do planeta (quantidade de recursos naturais que a Terra é capaz de produzir em um ano) pela pegada ecológica da Humanidade (a demanda por recursos), e multiplica por 365, o número de dias em 2015.
— A pegada de carbono da humanidade mais que dobrou desde os anos 1970, quando o mundo entrou em déficit ecológico. Ela continua sendo o componente de crescimento mais acelerado no crescente abismo entre a pegada ecológica e a biocapacidade do planeta — disse Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network.
Para definir a biocapacidade, a ONG considera as áreas de produção de recursos naturais dos países, incluindo florestas, zonas de pastagens e lavouras, de pesca e áreas urbanas. Pelo lado da pegada ecológica, a medição é da demanda por alimentos e produtos derivados de plantas, animais e madeira, espaço para infraestrutura urbana e florestas para absorver o dióxido de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis. Tudo é calculado em hectares.
Segundo os cálculos, seria preciso 1,6 planeta para suprir a demanda anual da Humanidade. Se o ritmo for mantido, em 2030 serão necessários dois planetas. E os custos desse déficit ambiental já estão sendo sentidos pela Humanidade, na forma de desmatamentos, secas, falta de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e aumento do dióxido de carbono na atmosfera. Se os modelos climáticos estiverem corretos, as mudanças climáticas tendem a aprofundar as crises.

Saiba mais em O Globo

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