
04/08/2015
O envio de amostras pela Embrapa poderá contribuir para resgatar a história da alimentação do homem pré-histórico no Brasil
Uma coleção de referência de microvestígios que diferenciam as espécies de vegetais será, num futuro próximo, a chave para resgatar informações valiosas sobre a alimentação do homem pré-histórico no Brasil. Um Acordo de Cooperação firmado entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no dia 15 de junho de 2015 permitirá que o Museu Nacional da UFRJ tenha acesso às amostras de vegetais guardadas nos bancos ativos de sementes (BAG`s) de 19 unidades da Embrapa.
Pelo acordo, a Embrapa irá enviar duas ou três amostras de diversas espécies ao Laboratório de Arqueobotânica e Paisagem do Museu Nacional e a equipe responsável registrará imagens e descrições de estruturas microscópicas presentes nas sementes e outros órgãos vegetais que diferenciam as espécies: o grão de amido e o fitólito (tipo de cristal mineral que se forma nos vegetais).
A construção de um banco de dados com essas estruturas (grão de amido e fitólito) permitirá que os pesquisadores da arqueobotânica - disciplina dentro da arqueologia que busca reconstruir o passado humano através da análise de restos vegetais - descubram, por exemplo, como era a dieta, a domesticação de vegetais e a produção de alimentos na pré-história brasileira.
"As análises de restos vegetais estão deixando de aparecer simplesmente como relações de espécies encontradas no quadro das escavações arqueológicas. Hoje, os vestígios vegetais são interpretados como produto da relação dos grupos pré-históricos com o seu meio ambiente", afirma o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Fábio de Oliveira Freitas, responsável técnico pelo projeto.
Inúmeras informações podem ser obtidas a partir dos vestígios vegetais encontrados em contextos arqueológicos. Desde como era a relação do homem do passado com o mundo exterior como dados mais específicos, como o tipo de paisagem que existia, a dieta dos homens, as plantas que eram utilizadas para construir artefatos, as utilizadas em rituais, na fabricação dos remédios, entre outros dados históricos fundamentais.
A professora adjunta do Departamento de Antropologia do Museu Nacional, Rita Scheel-Ybert, cooperante no acordo com a Embrapa, explica que durante muitos anos a pesquisa arqueológica só conhecia os chamados macro-vestígios: restos de frutos e sementes dissecados ou carbonizados encontrados nos sítios arqueológicos. Fora desses locais era extremamente difícil encontrar algum vestígio orgânico, devido à dificuldade de conservação ocasionada pelo tempo, chuva, ataque de microrganismos e outras condições que levam à rápida decomposição da matéria orgânica.
Saiba mais no site da UFRJ
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