UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
O mistério dos índios brasileiros

23/07/2015

Há cerca de 20 mil anos, as Américas eram a última fronteira para a ocupação do planeta pelos humanos modernos (Homo sapiens). Então, uma ponte de gelo e terra uniu o Nordeste da Ásia ao Alasca, na região do atual Estreito de Bering, criando um caminho que permitiu aos primeiros colonizadores chegarem ao nosso continente. A cronologia desta migração e a identidade destas populações pioneiras, no entanto, ainda são objeto de muitos debates e dúvidas entre os cientistas. Nos últimos anos, diversos estudos morfológicos, genéticos, arqueológicos e linguísticos reforçam a tese de que este processo se deu em três grandes ondas, encontrando ligações entre os índios nativos americanos com grupos que habitavam e ainda habitam áreas que hoje compreendem a Sibéria, a Mongólia e o Leste da Ásia, no que ficou conhecido entre os especialistas como o “modelo paleoamericano”.
Mas duas novas pesquisas divulgadas em adiantamento nesta terça-feira pelas prestigiadas revistas científicas “Nature” e “Science” vêm complicar ainda mais este cenário do povoamento das Américas. Embora o estudo na “Science” corrobore em grande parte o chamado “modelo paleoamericano”, ele fornece uma cronologia mais precisa e indica uma importância maior da corrente migratória inicial dos siberianos na formação dos povos indígenas das Américas. Já o estudo na “Nature”, que contou com a participação de cientistas brasileiros, porém, identificou pela primeira vez uma contribuição genética significativa de uma população “fantasma”, desconhecida, mas relacionada aos atuais aborígenes australianos e nativos da Nova Guiné e das Ilhas de Andamã, ou seja, entre o Sudeste Asiático e a Oceania, na formação de pelo menos três tribos brasileiras: suruí e karitiana, da Amazônia e de língua tupi; e xavante, do Cerrado e de língua jê. Para piorar ainda mais a situação, esta contribuição parece estar misteriosa e praticamente ausente nos demais grupos nativos americanos analisados até agora tanto no Norte quanto no Centro e no Sul do continente.
— Realmente não esperávamos ver estes resultados — conta Tábita Hünemeier, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP e uma das coautoras do estudo publicado da “Nature”. — Esta contribuição dos melanésios (nome dado a um grande conjunto de povos da atual Oceania) nunca tinha sido aceita nos modelos sobre o povoamento das Américas e chegamos a duvidar do que estávamos vendo, mas, conforme fomos refinando nossas análises genéticas, os sinais ficaram cada vez mais fortes. Uma população não pode simplesmente desaparecer sem deixar uma marca genética nas subsequentes, e nosso estudo é o primeiro a mostrar isso.

Saiba mais em O Globo

Novidades

Aranha-lobo ‘dá um passeio’ pelo Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador

13/08/2026

Uma aranha-lobo, também conhecida no Brasil como aranha-de-jardim ou aranha-de-grama, foi fotografad...

Fotógrafo brasileiro registra eclipse total na Espanha e flagra coroa solar e ‘anel de diamante’; veja IMAGENS

13/08/2026

O fotógrafo brasileiro Kiko Fairbairn registrou nesta quarta-feira (12), em Castrojeriz, na Espanha,...

Nova espécie de planta é descoberta em fotografias de observação de aves no ES

13/08/2026

Um pesquisador identificou uma nova planta por meio de fotos de pássaros registradas em uma reserva ...

Saúde das baterias impulsiona economia circular dos carros elétricos

13/08/2026

O crescimento acelerado dos veículos elétricos e híbridos no Brasil traz um novo desafio para a mobi...

Calçada da ´Fauna´: conheça espécie de animal vermelho que ganhou pegada eternizada em Gramado

13/08/2026

O mais novo "astro" da "Calçada da Fauna" atende pelo nome de guará-rubro. A pegada da ave foi regis...

Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas

13/08/2026

A vegetação nativa ocupava 79% do território brasileiro em 1985. Quatro décadas depois, essa partici...