
21/07/2015
Até o fim do ano, o Parque Nacional da Serra da Capivara pode sofrer um golpe pesado. A Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), parceira do governo federal na manutenção da unidade, prepara-se para fechar as portas. Em 2014, seus cofres receberam apenas R$ 860 mil, verba insuficiente para zelar pela infraestrutura que sustenta o acesso e a pesquisa em mais de mil grutas rupestres, dispersas por 130 mil hectares no interior do Piauí. Nem o status de Patrimônio Cultural da Humanidade assegurou a entrada de recursos. Se a penúria significar uma ameaça às cavernas pré-históricas, o título atual poderia mudar para “patrimônio em perigo”.
Pouco tempo atrás, a equipe de Niède Guidon, de 82 anos, que preside a fundação, contava com 270 funcionários. Hoje, são 50. Segundo a arqueóloga, a demissão dos empregados remanescentes implicaria no pagamento de indenizações. Para isso, seria necessário encerrar as atividades até dezembro.
— Eu não sei mais o que fazer — admite a arqueóloga. — A fundação surgiu em 1986 porque, sete anos antes, o parque foi criado e não havia funcionários do governo federal. A área estava tomada por caçadores e extrativistas. As pesquisas científicas trazem resultados fantásticos, mas os trabalhos não podem ser sustentados sem uma estrutura básica.
No trajeto entre as grutas históricas, há somente um carro da fundação e outro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) — que, segundo Niède, às vezes precisa de gasolina emprestada. Das 28 guaritas, apenas 12 estão abertas, sendo que oito não têm vigias à noite.
A pena de morte, segundo Niède, foi o êxodo de recursos de compensação ambiental. Poucos anos atrás, eles eram destinados diretamente pelas empresas à fundação. Agora, devem ser levados para o governo federal, que os distribui entre as unidades. A Petrobras, patrocinadora do patrimônio, também provoca insatisfação. De acordo com a coordenadoria de projetos da Fumdham, a empresa comprometeu-se a enviar R$ 1,2 milhão em 2014, mas apenas R$ 400 mil subiram a Serra. Procurada pelo GLOBO, a Petrobras declarou que o contrato é de R$ 1,14 milhão, e que as demais parcelas estão sendo pagas este ano. Entre 1999 e 2014, acrescenta, o valor destinado à Fumdham soma R$ 13,6 milhões.
Leia a matéria completa em O Globo
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