
02/07/2015
Após quatro meses parados, os dez ecobarcos que atuam na coleta de lixo flutuante na Baía de Guanabara voltaram a operar nesta quarta-feira, mas sem um sistema capaz de orientar o deslocamento. Em março, a Secretaria estadual do Ambiente havia creditado a interrupção do serviço à falta de um mecanismo que direcionasse as embarcações para os locais com mais concentração de detritos.
As empresas Ecoboat e Brissoneau, responsáveis pelos barcos, interromperam a operação no início de março, por causa de atrasos nos pagamentos do governo do estado. Na ocasião, a secretaria afirmou que o sistema seria “readequado”, com a entrada de mecanismos de inteligência. Um edital para a contratação de uma empresa que fizesse a gestão dos ecobarcos foi lançado. Apenas a Pro Oceano Serviço Oceanográfico e Ambiental apresentou proposta e deverá conquistar a licitação, cujo contrato tem prazo de seis meses e limite de gastos de R$ 650 mil. Até as Olimpíadas, a previsão de gastos com todo o sistema de ecobarcos é de R$ 12 milhões.
Pressionada pelo cronograma olímpico, já que o evento-teste da vela vai acontecer entre os dias 15 e 22 de agosto, a secretaria quitou as dívidas com as empresas e resolveu retomar o serviço mesmo sem o sistema de inteligência. Segundo o governo, o “gerenciamento entrará após a homologação da licitação”. Não há um prazo garantido, mas a expectativa é que o assunto seja resolvido ao longo do mês.
Logo após a interrupção da operação das embarcações, o governo holandês doou à secretaria um software capaz de prever os pontos com mais detritos, por meio de dados de correntes marítimas e de vento. Segundo o governo, a empresa gerenciadora poderá usar esse programa, assim como outras tecnologias já disponíveis na secretaria.
Para conter o lixo flutuante, outra aposta são as ecobarreiras, instaladas na foz de rios que deságuam na baía. A manutenção das estruturas foi interrompida em março. Segundo a secretaria, uma nova leva começará a ser instalada até o fim do mês.
A poluição na Baía de Guanabara é a principal preocupação do Comitê Rio 2016 e do Comitê Olímpico Internacional (COI). A meta original, de coletar e tratar 80% do esgoto despejado na baía, não será cumprida. O objetivo agora é minimizar os danos, já que há uma pressão da Federação Internacional de Vela para realizar as regatas olímpicas em mar aberto. Para reduzir o esgoto na área de competição, o governo está construindo uma galeria de cintura em torno da Marina da Glória, que vai desviar os dejetos para o emissário submarino de Ipanema.
Fonte: O Globo
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