
30/06/2015
A resistência de algumas espécies de corais a águas mais quentes vem de berço, segundo um novo estudo de cientistas das universidades do Texas, do Estado do Oregon (EUA) e do Instituto de Ciência Marinha da Austrália.
Os pesquisadores acabam de descobrir os mecanismos biológicos que estão por trás dessa tolerância e apontam que ela é transmissível aos descendentes.
Essa proteção contra o calor pode, inclusive, ser usada no combate à extinção de corais, que são afetados pelo aquecimento global e pela acidificação dos oceanos.
Os pesquisadores cruzaram indivíduos da espécie de coral Acropora millepora que viviam em diferentes regiões da Austrália: Baía Princesa Charlotte e Ilha Orpheus. A diferença de temperatura entre as duas regiões é de mais ou menos 2ºC.
As larvas desses cruzamentos foram então colocadas em temperatura de 35,5ºC –esse tipo de organismo costuma aguentar até 32ºC– por um período de 27 a 31 horas.
O resultado: as larvas descendentes de pais que viviam em regiões mais quentes tiveram dez vezes mais chances de sobreviver do que aquelas cujos pais viviam em regiões mais frias.
O artigo publicado nesta quinta (25) na revista "Science" aponta que a tolerância das larvas estava relacionada a alterações nas mitocôndrias, organelas celulares que são transmitidas à prole somente pela mãe.
"Essa é uma descoberta importante porque demonstrou que a tolerância pode ser transmitida de uma geração para a próxima. Ou seja, não é necessário esperar por novas mutações genéticas, que podem demorar muito para aparecer", afirma Miguel Mies, pesquisador do Instituto Oceanográfico da USP.
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