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Rótulos deverão ter informações mais detalhadas sobre alimentos alergênicos

07/05/2015

A pressão popular sobre a inserção de ingredientes alergênicos nos rótulos dos alimentos parece ter surtido efeito. Catorze meses após o início da campanha #poenorotulo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez, nesta quarta-feira, uma audiência pública com indústria, médicos, ativistas da causa e mães de filhos alérgicos aos principais componentes de ovo, leite, soja, trigo, peixe, crustáceos amendoim e oleaginosas para debater a questão.
O próximo é apresentar o texto proposto durante a audiência à Diretoria Colegiada da Anvisa, para torná-lo uma norma. A expectativa é que o assunto se resolva ainda no primeiro semestre deste ano. A proposta é que as empresas terão o prazo de um ano para adaptar os rótulos.
A Anvisa propõe uma lista de oito alimentos que terão indicação de forma destacada e obrigatória: castanhas, peixe, crustáceos, soja, leite, ovo, trigo e outros cereais e amendoim. Outra novidade é a inclusão do látex no conjunto de ingredientes que receberão destaque nos rótulos. Isso porque, segundo o órgão, a substância tem um alto potencial alergênico e é adicionada intencionalmente em determinados tipos de alimento como a goma de mascar. O látex também pode estar presente em alimentos por conta do uso de embalagens com esta substância.
A proposta também prevê que os rótulos indiquem a presença do alimento, mesmo que o ingrediente utilizado seja um derivado do alimento original. Por exemplo: se o alimento contém “caseína”, o rótulo terá que alertar o consumidor sobre a presença do leite, já que a caseína é uma proteína do leite. De acordo com a equipe técnica da Anvisa, não se encontrou nenhuma referência segura que garantisse que derivados do alimento original não provocam alergias.
— Nosso balanço é positivo — conta a advogada Cecília Cury, coordenadora da campanha #poenorotulo, que reforçou na reunião a importância da rotulagem dizendo que já há condições de fazer isso, e inclusive uma maturidade observada internacionalmente. — Percebemos a Anvisa sensível ao tema e à urgência de fazer a rotulagem, ainda que haja pedidos da indústria quanto à não rotulagem de óleo de soja e gelatina de peixe, sob o argumento que apenas uma minoria sofreria reação. Mas estamos aqui justamente para proteger as minorias.
Ela critica, por exemplo, a saída do glúten dessa discussão. Alimentos continuarão tendo “contém/ não contém glúten”. Porém, mas os “traços” e a quantidade do ingrediente no produto não serão incluídos no rótulo.

Fonte: O Globo

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