
30/04/2015
A capital fluminense continua amargando a 56ª posição no ranking que avalia a situação do saneamento nas cem maiores cidades brasileiras. A divulgação da nova lista dos municípios que registram avanços em universalização de redes de água e esgoto foi feita na terça-feira pelo Instituto Trata Brasil. A publicação teve como base dados fornecidos por empresas públicas e concessionárias privadas ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, em 2013 — os mais recentes. Enquanto o Rio manteve-se na mesma colocação da lista do ano passado, Niterói subiu oito posições, pulando do 14º lugar para o sexto. É a cidade mais bem classificada do Estado do Rio.
Por outro lado, São João de Meriti (91ª), São Gonçalo (90ª), Duque de Caxias (88ª) e Nova Iguaçu (87ª) figuram entre as últimas posições. A cidade mais eficiente em saneamento é Franca, no interior de São Paulo. A menos eficiente é a capital de Rondônia, Porto Velho.
O Trata Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público o (OSCIP), criada por grandes empresas como Coca-Cola, Brasken e Amanco. A divulgação do ranking é feita há cinco anos.
De acordo com o presidente do Trata Brasil, Édson Carlos, o baixo índice de tratamento de esgoto do Rio é determinante para impedir avanços nos últimos anos. Ele destaca que o percentual de esgoto tratado na capital no novo levantamento é de 47,18%, menor que os 50,02% aferidos no ranking anterior. Na capital carioca, foram compilados dados fornecidos pela Cedae e pela Foz Águas 5, concessionária privada responsável pelo esgoto em parte da Zona Oeste.
— Isso pode significar que, embora a quantidade do esgoto coletado possa ter aumentado, isso não significou avanços em tratamento. São Paulo tem um índice de 51,47%, o que também está longe de ser um indicador eficiente — analisa Édson Carlos. — O cálculo do ranking não mudou, o que indica que cidades importantes do país devem adotar medidas mais eficientes na gestão do saneamento. Essa é uma responsabilidade das prefeituras. Na Baixada Fluminense temos situações dramáticas há muito tempo.
Entre os casos de sucesso, destaca-se Curitiba, que colhe os frutos de investimentos pesados há muitos anos. Com 1,8 milhões de habitantes, é a metrópole mais bem colocada na lista, aparecendo em quinto lugar. Entre as cinco primeiras cidades, três são paranaenses: além da capital, Maringá e Londrina.
A concessionária Águas de Niterói atribuiu a redução do índice de controle de perdas totais de água como o fator determinante para a boa colocação. “Niterói tem um índice de perda de 15,9%, o menor entre as cidades do mesmo porte”, destacou a empresa, que assumiu os serviços de água e esgoto da cidade em 1999.
Já a Cedae disse que “não reconhece" o Trata Brasil como órgão oficial para fonte de informações relativas ao saneamento, “tratando-se de uma entre outras ONGs que realizam estudos sobre este setor.” Acrescentou ainda que informações oficiais sobre este tema no Brasil são apuradas e divulgadas pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, e também pelo IBGE. A estatal afirmou ainda que “o ranking apurado de 2014 trará o Rio em posição muito melhor”.
O ranking mostra que a capital fluminense está atrás das outras capitais do Sudeste: Belo Horizonte (19ª posição), São Paulo (34ª) e Vitória (42ª).
Fonte: O Globo
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