
28/04/2015
Para chamar atenção para a extração ilegal de madeira na Amazônia, o Greenpeace está realizando uma ação, nesta segunda-feira, em Bruxelas, na Bélgica. A organização colocou em frente ao gabinete do Ministério de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável belga um cartaz bem-humorado que mostra uma tábua de madeira ilegal, acompanhada da legenda: “Isso não é madeira ilegal”, fazendo referência ao famoso quadro “A traição das imagens”, do pintor surrealista René Magritte, ao trocar o célebre cachimbo por um toco de madeira. A instalação foi colocada em cima de um deque feito com material extraído ilegalmente da Amazônia, e sua intenção é criticar a vista grossa que as autoridades europeias estão fazendo para a madeira de origem criminosa que entra no continente.
O Greenpeace exige que o combate ao comércio ilegal de madeira seja mais duro na Europa, por isso, ele cobra a implementação efetiva da legislação EUTR (Europe Union Timber Regulation), que proíbe a importação de madeira ilegal para o mercado europeu. Para a entidade, apesar da EUTR ter entrado em vigor em março de 2013, a aplicação de suas regras não é feita devidamente. A fiscalização frouxa acaba tornando fácil a entrada de material ilegal nos países, o que se reflete no Brasil, agravando o problema do desmatamento na Amazônia.
Segundo o Greenpeace, uma prova da negligência dos governos europeus é que a madeira utilizada no tablado, palco do protesto, veio da serraria brasileira Rainbow Trading, que recebeu madeira ilegal no ano passado, rastreada e denunciada pelo Greenpeace.
“O mercado europeu é um dos principais destinos da madeira ilegal e a falta de combate nessa porta de entrada acaba servindo como um estímulo aos criminosos da outra ponta, tanto os que extraem a madeira de forma predatória, quanto os que receptam e comercializam essa madeira. Por sua vez, as autoridades brasileiras, responsáveis pelo problema no Brasil, também devem combater a extração de madeira ilegal na sua raiz. Embora algumas medidas futuras tenham sido anunciadas, muita madeira ilegal ainda está circulando dentro e fora do país e quem perde com isso é a floresta”, afirma Marina Lacôrte, da campanha da Amazônia do Greenpeace, em um comunicado.
Fonte: O Globo/a>
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