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Troca de águas com o mar e gestão eficiente poderiam minimizar danos na Lagoa

16/04/2015

Patrimônio da Cidade Maravilhosa e palco de competições de canoagem e remo nos Jogos de 2016, a Lagoa Rodrigo de Freitas sofre mais uma vez com um desolador cenário de mortandade. Até o fim da tarde desta terça-feira, a Comlurb havia retirado de suas águas 32,4 toneladas de peixes nos últimos seis dias. Dinâmica que, entra ano e sai ano, continua a desafiar gestores e especialistas. Desde 2008, o governo do estado e a prefeitura investiram R$ 100 milhões em ações de saneamento que beneficiaram a lagoa, de acordo com a Cedae. O insuficiente, no entanto, para melhorar a ligação do espelho d´água com o mar e evitar mortandades.
Especialistas em dinâmicas de lagoas e biologia marinha ouvidos pelo GLOBO contestaram nesta terça-feira a informação de que a queda brusca de mais de 3 graus Celsius da temperatura, entre os dias 5 e 8 de abril, tenha causado a mortandade, que atinge principalmente savelhas. Eles argumentam que, embora a Lagoa seja um ambiente que acumula sedimentos por natureza, os problemas são potencializados pela matéria orgânica de esgotos e a falta de troca de água com o mar. Solução apresentada em 2009 pela Fundação Coppetec, da UFRJ, para ajudar na troca das águas da Lagoa, a instalação de dutos subaquáticos ficou no papel depois da derrocada do projeto Lagoa Limpa, que vinha sendo coordenado pela prefeitura, com recursos do empresário Eike Batista, em meados de 2013.
Para o oceanógrafo David Zee, a sujeira carregada por canais em frente à Rua General Garzon, na altura do Jockey Club, provocou aumento de bactérias e, consequentemente, queda de oxigênio.
Zee não tem dúvidas ao afirmar que, se a explicação do choque térmico fosse real, estariam morrendo peixes de todas as espécies, e não apenas savelhas.
— Se (a mortandade) é seletiva, estamos falando de falta de oxigênio. Os peixes não estão morrendo em grande velocidade, tem sido aos poucos. Os cardumes estão ficando presos nessa região assoreada. Não encontram saída com o pouco oxigênio e acabam morrendo. E os que ainda estão lá, apodrecendo, diminuem ainda mais o oxigênio.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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