
14/04/2015
Há cerca de 252 milhões de anos, a vida complexa, multicelular, na Terra quase desapareceu. Então, entre o fim do período Permiano e início do Triássico, pelo menos 90% das espécies marinhas e dois terços das terrestres - mas com estimativas apontando até 96% do total dos animais - foram mortas no relativamente curto espaço de tempo de 60 mil anos, no que foi a maior extinção em massa registrada na história do planeta. Ela é a única que se sabe ter atingido até mesmo animais considerados mais resistentes, como os insetos, o que não por acaso fez com que fosse apelidada como “Grande Morte”. Há tempos, os cientistas suspeitam que o “assassino” foi uma explosão na atividade vulcânica que levou à formação dos chamados Trapps Siberianos, uma imensa região coberta de basalto (lava endurecida) na atual Rússia, e agora eles encontraram provas do que acreditam ser a “arma do crime”: a acidificação dos oceanos.
Segundo os cientistas, o intenso vulcanismo associado aos Trapps Siberianos liberou enormes quantidades de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera que, absorvido pela água do mar, aumentou a acidez dos oceanos a ponto das consequências para a vida na Terra serem catastróficas, num achado que também pode ajudar a melhor compreender as ameaças à atual biodiversidade marinha e ao futuro do planeta em processo semelhante provocado pelas emissões humanas do gás, apontadas como as principais causadoras do efeito estufa e do aquecimento global. Em outro dado preocupante, o estudo indica que embora talvez mais maciças no total, as emissões do fim do Permiano teriam sido até mais lentas que as da Humanidade hoje, atingindo com um “golpe duplo” um ecossistema já fragilizado na época por uma alta nas temperaturas e ampla perda de oxigenação nos oceanos, como também observamos atualmente.
Para chegar a esta conclusão, pesquisadores liderados por Matthew Clarkson, da Escola de Geociências da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, analisaram rochas retiradas de uma formação calcária nos Emirados Árabes Unidos, então no leito de um raso mar na costa do supercontinente de Pangeia, para montar um histórico do pH dos oceanos na época da “Grande Morte”. Eles descobriram que no fim do Permiano a água apresentava alguma alcalinidade, o que permitiu que absorvesse o primeiro impacto das emissões de CO2 das erupções vulcânicas ao longo de 50 mil anos, sem grandes alterações no seu pH ou consequências para a vida marinha. Mas, cerca de 10 mil anos depois, um segundo e poderoso golpe sobrecarregou a capacidade de absorção de carbono dos oceanos de tal forma que as mudanças ambientais foram drásticas e fatais para a grande maioria das espécies de animais da época.
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