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Brasil lidera o ranking de consumo de agrotóxicos

09/04/2015

Landa Rodrigues, de 40 anos, trabalha na lavoura em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, desde criança. Antes ou depois da escola, costumava ajudar a família na produção de verduras. Cresceu plantando mudas, pulverizando agrotóxicos e colhendo o resultado do trabalho esforçado. Aos 20 anos, logo depois de usar um pesticida, seus olhos começaram a arder e inchar. Landa esperou o incômodo passar, mas ele não passou. Hoje, enxerga pouco e sempre soube que a culpa era do veneno, mesmo antes de as substâncias ganharem destaque pelos males à saúde que causam. Enjoos, dores de cabeça, feridas e coceiras na pele são outras lembranças ruins que ela guarda de quando as usava em sua produção, já que há três anos trabalha apenas com orgânicos. Além disso, vítimas de câncer são frequentes na região.
— Câncer aqui é igual a epidemia de dengue no Rio. Não falta caso para contar — diz Landa, lembrando que pai, tio e avô morreram de câncer, o que também ocorreu com alguns vizinhos.
Para cobrar uma redução do uso de agrotóxicos no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou ontem — Dia Mundial da Saúde, que teve como foco a alimentação segura — um documento no qual compila dados contundentes sobre os riscos dessas substâncias para a saúde, tanto para o agricultor, que está em contato direto com o produto, mas para qualquer consumidor. O instituto quer, com isso, pressionar governos e entidades a aumentar a regulação e o controle, além de incentivar alternativas mais sustentáveis.
Segundo o documento, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões em 2001 para mais de US$ 8,5 bilhões em 2011 no Brasil. Desde 2009, o país é o maior consumidor mundial dessas substâncias, com uma média de um milhão de toneladas por ano, o equivalente a 5,2 kg de veneno por habitante. Para se ter ideia, a média dos EUA em 2012 era de 1,8 kg por habitante. Na última década, o mercado de agrotóxicos do país cresceu 190%, ritmo mais acentuado do que o do mercado mundial no mesmo período (93%).

Leia a matéria em O Globo

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