
07/04/2015
Especialistas em mobilidade urbana ouvidos pelo GLOBO citam o aspecto geográfico e a centralização das atividades de trabalho como fatores que colocam o Rio como terceira cidade mais congestionada do mundo, segundo estudo da empresa holandesa TomTom. Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, coordenador de estudos urbanos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirmou desconhecer a metodologia utilizada pela empresa, mas afirmou que os dados compilados por ele com base no estudo da Pnad do IBGE, divulgados no ano passado, já mostravam que o carioca gasta mais tempo do que o paulistano para ir e voltar de casa para o trabalho — uma média de 47 minutos por trajeto contra 45,6 minutos.
Carvalho ressalta que é preciso realizar mais estudos para entender por que o trânsito carioca é pior do que o paulistano, mas já faz algumas considerações, entre elas o fato de o sistema metroferroviário de São Paulo ser maior e mais eficiente do que o do Rio. Ele também chama atenção para os aspectos geográficos das duas metrópoles:
— O Rio é linear, está espremido entre o mar e a serra. Não há muitas alternativas caso o trânsito pare. Já São Paulo é mais espraiada, concêntrica, o que possibilita caminhos alternativos melhores.
Carvalho também afirmou que a distribuição das atividades de trabalho em São Paulo é melhor do que no Rio.
— Cidades como Niterói e São Gonçalo funcionam basicamente como “cidades-dormitório", enquanto em São Paulo há outros polos econômicos além da capital.
Para o pesquisador, ainda é cedo para afirmar se as medidas que vêm sendo implementadas pela prefeitura de São Paulo contribuíram para isso, pois elas são “muito recentes". Entre elas, cita as faixas exclusivas e os corredores de ônibus implementados nos últimos 12 meses:
— Isso pode influenciar bastante, já que boa parte da população anda de ônibus. E se você confere ao transporte coletivo uma maior velocidade, pode fazer uma diferença grande. Mas, por enquanto, é só uma hipótese.
Para Jaime Waisman, professor aposentado da Escola Politécnica da USP, o estudo surpreendeu pelo fato de São Paulo ter caído da 5ª posição ano passado para a 36 ª este ano no ranking geral das cidades mais congestionadas. O especialista em mobilidade urbana salienta que nada foi feito na cidade para a melhora no trânsito:
— A não ser que o trânsito nas outras capitais brasileiras mencionadas tenha piorado muito.
Sobre o Rio, o professor elenca uma série de fatores, entre eles a malha viária reduzida e “o espaço extremamente confinado entre o mar e a montanha" na Zona Sul, onde a frota de veículos cresceu mais em razão do poder aquisitivo dos moradores da região, além das obras para as Olimpíadas.
— Há no Rio um problema de espaço, e as questões de mobilidade são mais sérias por conta dessas limitações físicas. Em São Paulo, não há uma melhora perceptível, os índices de congestionamento medidos pela CET ou estagnaram ou aumentaram na cidade — diz Waisman.
Fonte: O Globo
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