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Oceanos precisam de até mil anos para se recuperar das mudanças climáticas

31/03/2015

Pesquisadores da Universidade da Califórnia estudaram como as mudanças climáticas interferiram no ecossistema de um local do Oceano Pacífico durante mais de 16 mil anos. Neste período, a quantidade de oxigênio no mar variou significativamente, provocando transformações radicais na biodiversidade. Em alguns casos, a recuperação destes estragos durava mais de mil anos.
A equipe da oceanógrafa Sarah E. Moffitt examinou amostras da fauna fossilizada da Bacia de Santa Bárbara, na Califórnia, entre 16,1 mil a 3,4 mil anos atrás. Foi possível observar as mudanças climáticas ocorridas no local desde a última era glacial.
A mudança nos níveis de oxigênio foi constante ao longo dos séculos e, às vezes, ocorria de forma abrupta, em poucas décadas. Eram transformações tão significativas que interferiam na diversidade de espécies encontradas no leito do mar, nas fontes de energia e na biomassa.
Para Sarah, o estudo pode ser uma demonstração do que ocorrerá nos próximos séculos, caso as mudanças climáticas provoquem — como previsto — um grande impacto no planeta.
— Atualmente o oceano e o mar profundo estão perdendo oxigênio — alertou Sarah, em entrevista ao GLOBO. — Existem variações locais, mas este é o panorama global. Estamos documentando quais serão as consequências biológicas, como afetarão a pescaria, a biodiversidade, a vida dos predadores do oceano.
A cientista ressalta que a ação humana tem um efeito tão grande no planeta quanto os fenômenos que marcaram a divisão de eras geológicas. A Terra, segundo Sarah, sofre uma vulnerabilidade inédita.
— As mudanças climáticas atuais são completamente diferentes e muito mais repentinas do que as vistas, por exemplo, após períodos glaciais — ressaltou. — A magnitude destas transformações é muito maior do que nossa capacidade de administrar e conservar a vida biológica do planeta.
A pesquisa foi publicada esta semana na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

Fonte: O Globo

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