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Fragmentação deixa 70% das florestas sob ameaça, aponta estudo

24/03/2015

Está cada vez mais difícil ficar perdido na mata. Se uma pessoa for jogada num ponto aleatório em qualquer floresta do mundo, ela terá 70% de chance de conseguir sair da vegetação fechada andando menos de um quilômetro.
O número saiu de um estudo que compilou os mapas de fragmentação dos principais biomas do planeta e os experimentos sobre o que acontece nas bordas das florestas, onde a influência humana é ameaça à biodiversidade.
O problema dos pedaços isolados de floresta é que, quando são muito pequenos, não acomodam uma população mínima de certas espécies de animais ou plantas. Apesar de não serem contados como desmatamento, bordas de biomas podem perder de 13% a 75% de sua biodiversidade original.
"Um fragmento pequeno pode não conter número suficiente de indivíduos de uma espécie para que haja reprodução e manutenção da população", afirma Clinton Jenkins, do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), coautor do estudo publicado na revista "Science Advances". O trabalho foi liderado por Nick Haddad, da Universidade do Estado da Carolina do Norte.
Florestas tropicais intocadas tinham tipicamente 90% da área fora da zona de risco, situadas perto dos limites do ecossistema. Na Amazônia, esse número se reduziu para 75%, o que significa que ela ainda está em áreas relativamente contínuas, comparada à média mundial. Mas a mata atlântica, que foi quase toda destruída, só 9% das áreas remanescentes estão a mais de 1 km de distância da influência humana.
Na África subsaariana, praticamente metade da floresta que resta está em fragmentos, e no Sudeste Asiático, onde uma parte significativa das florestas fica em ilhas, a área vulnerável é grande.
O limite de 1 km não foi escolhido arbitrariamente. Experimentos longos como o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, operando desde 1979 no Amazonas, mostram que é nas bordas que ocorrem coisas como invasão de espécies, colapso do microclima e mudanças na composição de plantas. Nesse cenário, "a tendência geral é que o número de espécies presentes se reduza", diz Jenkins. Essa redução porém, não é linear.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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