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Pesquisa sobre rios de seis estados mostra quem em 23% água é ruim ou péssima

19/03/2015

A escassez de chuvas vista desde o ano passado contribuiu para a melhora da qualidade da água dos rios na Região Sudeste. A conclusão é de um levantamento divulgado hoje pela ONG SOS Mata Atlântica. Os pesquisadores coletaram água em 301 pontos de 111 rios em seis estados, a maioria no Rio e em São Paulo, e no Distrito Federal. Do total, 23,3% têm qualidade ruim ou péssima. Considerando o crescimento descontrolado da cidade e a ocupação de regiões de nascentes e córregos, acreditava-se que este percentual seria maior.
Sem chuvas, os rios urbanos não receberam os resíduos que normalmente são deixados em suas margens.
A coleta e o tratamento das bacias assegurou o aumento da qualidade da água nos rios paulistanos. O percentual de amostras com qualidade regular saltou de 30,2% para 50,9%.
— Na cidade do Rio, porém, o número de locais com amostras de qualidade ruim aumentou de 40% para 66% — critica Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. — Isso aconteceu devido a uma soma de fatores: o esgoto não-tratado e o aumento da temperatura contribuíram para a proliferação de algas. A cidade investe pouco em saneamento básico. E o lixo é cada vez mais recorrente nos 15 pontos que avaliamos. A água é poluída assim que os rios deixam as unidades de conservação, como a Floresta da Tijuca.
Segundo Malu, o Rio é marcado pelo desencontro entre órgãos responsáveis pela despoluição dos rios e os que fazem a coleta de detritos no solo.
O levantamento é realizado desde 1993 em São Paulo, como parte do programa de despoluição do Rio Tietê, e chegou em 2013 ao Rio de Janeiro. O resultado final é uma média das taxas registradas uma vez por mês. Os pontos são escolhidos de acordo com sua relevância para a comunidade. O rio Carioca é um dos casos mais emblemáticos. Antes de passar pela estação de tratamento do esgoto, no Flamengo, a qualidade da água é ruim. Depois, ganha condição regular. No entanto, ainda precisaria de técnicas mais sofisticadas para ser considerada própria para o consumo humano.
— As pessoas falam da falta de água no Sudeste, mas o debate assumiu um ângulo errado. Deveríamos falar da qualidade de água disponível, e não de sua quantidade — ressalta Malu. — Nós temos muitos rios. E muitos não podem ser usados para consumo devido à falta de educação e à má gestão.

Saiba mais em O Globo

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