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Poluição e desperdício fazem da crise hídrica um problema de difícil solução

12/02/2015

A represa Billings abastece 1,6 milhão de pessoas na região do Grande ABC, na grande São Paulo. O governo do estado quer ampliar a captação das águas do reservatório, mas a proposta gerou polêmica. Boa parte das margens da represa estão ocupadas por invasões e é grande a quantidade de lixo na água.
O maior ponto de poluição da represa fica na barragem que faz a transposição da água do rio Pinheiros. A quantidade de material orgânico é impressionante.
A bióloga Marta Marcondes fez a medição do oxigênio na água, em um braço mais limpo da Billings. O ideal para que haja vida é acima de 8mg/l, mas o máximo registrado na represa foi 7,3mg/l. Em uma região de água mais poluída, a quantidade de oxigênio na Billings é de apenas 1,8mg/l. Isso significa que não há vida na água.
No ponto onde fica a usina de transposição de água do rio Pinheiros, região mais poluída da represa Billings, nem as bactérias que se alimentam de lixo orgânico conseguem sobreviver. O nível de oxigênio na água é de apenas 0,5mg/l.
Embora a sujeira assuste, no lodo que se acumula no fundo da represa há um perigo ainda maior. “Foi feito um estudo em 2010, por uma equipe da USP, e foi encontrada uma série de metais pesados, cádmio, zinco, uma série deles. Quando o humano, que está no topo da cadeia, se alimenta deles (peixes), vai ficar com o metal que se acumulou nos tecidos desses animais”, explica Marta Marcondes.
A bióloga recolheu amostras de água da represa para análise. Na área onde fica a usina, a presença de coliformes fecais está mil vezes acima do tolerado em águas próprias para o consumo humano.
A Sabesp diz que tratar a água é mais caro do que evitar a poluição, mas nesse momento é mais rápido tratar do que resolver o problema. “A poluição é sempre uma preocupação para nós, mas nós temos toda a tecnologia necessária. O sistema de tratamento é feito justamente para isso. Para que você possa pegar uma água que está reservada em algum lugar e transformá-la em água potável. Temos pontos da represa onde é mais crítica a questão da poluição e outros pontos menos críticos. Onde nós estamos captando, próximo da Serra do Mar, a qualidade da água é muito melhor”, explica Marco Antonio Barros, superintendente de produção da Sabesp.

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