
22/01/2015
A crise hídrica que atingiu em cheio São Paulo nos últimos meses está prestes a alcançar um novo recorde negativo, com reflexos no abastecimento do Estado do Rio. O maior reservatório do Rio Paraíba do Sul, localizado em Paraibuna, no Vale do Paraíba paulista, está com apenas 0,38% de sua capacidade. Se o regime de chuvas na região continuar abaixo das estimativas dos meteorologistas, não haverá outra saída a não ser utilizar o volume morto — também chamado de reserva técnica — do Paraibuna ainda no primeiro semestre. O novo presidente da Cedae, Jorge Briard, afirmou que a empresa já consultou Light, Furnas e Companhia Energética de São Paulo (Cesp) sobre a qualidade das águas dessas reservas até hoje não exploradas. Especialistas estimam que o volume morto do reservatório de Paraibuna — que opera desde 1978 e é considerado o “coração do sistema” — tenha 400 milhões de metros cúbicos, o que seria suficiente para garantir o abastecimento de cidades de São Paulo, Rio e Minas por até três meses.
Briard ressalta que a situação hídrica da Região Metropolitana do Rio ainda é confortável, mas reconhece que técnicos esperavam um volume maior de chuva de outubro a novembro passado, o que não aconteceu. A seca exigirá soluções criativas e novos estudos de engenharia nos próximos meses, destaca o novo presidente da Cedae.
— A utilização dos volumes mortos não nos assusta. Vamos ter mais dificuldades, e estamos estudando, junto com outros atores, tecnologias para soluções alternativas de captação de água. Precisamos estar preparados para novos cenários de crise. Vamos prolongar a vida útil desse sistema o máximo possível — diz Briard, que pediu apoio da população contra o desperdício. — Não temos perspectiva, em 2015, de problemas de abastecimento de água no Grande Rio. Entretanto, é importante que a população seja parceira. O sentimento de que a água é um bem finito deve ser de todos. A falta de chuva está prolongada. A Cedae vai fazer a sua parte. Vamos estabelecer um prazo menor para atender a denúncias de vazamento — diz.
Na avaliação do pesquisador Paulo Carneiro, da Coppe/UFRJ, especialista em recursos hídricos, “tudo aponta que medidas de racionamento precisarão ser tomadas”, inclusive no Rio. Ele acrescenta que o uso de volume morto de barragens do Paraíba do Sul não é uma operação tão simples:
— As válvulas de fundo do reservatório de Paraibuna não foram projetadas para esse tipo de uso. Além disso, o uso do volume morto pode adiar o problema para 2016.
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