
13/01/2015
Um pequeno gole para o homem, um grande recado para a Humanidade. Ao investir em um equipamento que transforma excrementos humanos em água potável — e beber o resultado na semana passada —, Bill Gates empurrou a crise hídrica mundial para os holofotes. No Brasil, a pauta, que por décadas foi adotada exclusivamente pelo poder público, transbordou para pequenas iniciativas particulares. De um grupo de surfistas na Amazônia a professores de Medicina em Minas Gerais, há um leque de projetos que tentam combater o descaso histórico com a água. Segundo o Instituto Trata Brasil (ITB), cerca de 3,5 mil piscinas olímpicas de esgoto são despejadas diariamente em rios e mares no país.
— O estresse hídrico na Região Sudeste tem um ponto positivo: finalmente somos forçados a olhar além do horizonte — avalia Edison Carlos, presidente do ITB. — Agora que não temos água em abundância, precisamos procurar novas tecnologias, como programas de dessalinização e reúso da água. São projetos usados em todo o mundo, mas ignorados aqui. Há tempos sabíamos como nossa dependência de reservatórios nos deixa vulneráveis. Agora, este equilíbrio se rompeu.
Edison propõe soluções caseiras para áreas isoladas, como kits para purificação de água. Um surfista americano entrou na onda e, em 2009, criou o programa “Waves for Water” (em tradução livre, “Ondas para a Água”). Jon Rose navegava em um barco próximo à costa da ilha de Sumatra, na Indonésia, quando soube de um terremoto que arrasou a cidade de Padang, em outra ilha do país. Entrou nos escombros em busca de vítimas, mas sua maior contribuição foi entregar os dez filtros de água que carregava, além de aulas improvisadas sobre como capturar água da chuva.
O episódio se repetiu no ano seguinte, em outro sismo avassalador, desta vez no Haiti. Rose voltará ao país este mês para conferir a quantas anda a situação hídrica do país. Do terremoto asiático ao latino-americano, o surfista carimbou o passaporte em diversos países e, com outros colegas de prancha, distribuiu filtros mundo afora. Entre os mais de 40 projetos, um de seus destinos preferidos foi a Amazônia. Calcula que, com o pacote de aulas e kits, levou água potável a 20 mil comunidades indígenas no Norte do Brasil.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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