
13/11/2014
“Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo!” A impressão de Pero Vaz de Caminha de que os recursos hídricos brasileiros são inesgotáveis foi imortalizada em carta enviada ao rei de Portugal, D. Manuel, em 1º de maio de 1500, e perdura no imaginário de boa parte da população brasileira, 514 anos depois.
E esta noção equivocada — que vê um bem finito como infinito — orienta a relação de muitos cidadãos com os usos da água, afirmam os especialistas. Recurso, no caso brasileiro, é ainda a principal fonte de energia.
— É um problema de 500 anos pelo menos, um conceito arraigado de que os recursos não acabam — diz Dalberto Adulis, consultor de conteúdo do Instituto Akatu.
Foi assim com o pau-brasil, diz ele, e a exploração de culturas como a cana-de-açúcar e o café, extraídas de forma desenfreada pelos portugueses, comprometendo outros recursos naturais, como a Mata Atlântica.
A consciência de que a abundância é só aparente muitas vezes só vem à tona em situações extremas, como no caso recente de São Paulo, onde a falta de água tornou-se uma árida realidade, afetando a população independentemente do segmento social. Fora desses cenários, porém, o comportamento da população, sobretudo em relação à água, é de esbanjamento.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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