
11/11/2014
O Rio não está longe de enfrentar problemas com os reservatórios de água ao longo do Rio Paraíba do Sul, se a estiagem se prolongar. Dados da Agência Nacional de Águas (ANA), que faz o acompanhamento da bacia, mostram que o nível de água disponível nos quatro reservatórios do principal rio que abastece o estado — Paraibuna, Santa Branca e Jaguari, estes localizados fisicamente em São Paulo, e Funil, em Itatiaia, no Rio — está hoje em 6% de sua capacidade. Essa média, chamada de reservatório equivalente, é a menor em 36 anos, desde 1978, quando todos esses reservatórios passaram a operar juntos, com a conclusão do Paraibuna. Se voltarmos ainda mais no tempo, um nível tão crítico só foi registrado em 1955, quando os três reservatórios então existentes chegaram a funcionar com apenas 12% da capacidade.
E a situação pode piorar. De acordo com o especialista em meio ambiente e representante da Firjan no Comitê de Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), Jorge Teron, a previsão é que os reservatórios desçam a um nível de até 4,5% no final deste mês. O quadro crítico preocupa especialmente após chegar à ANA a proposta de São Paulo de passar a transferir cinco metros cúbicos de água por segundo de Jaguari para o reservatório de Atibainha, a 15km de distância, para abastecer a Região Metropolitana do estado, que enfrenta uma grave crise de abastecimento.
— Estamos num momento de exceção. A quantidade de chuva no último verão foi a pior dos últimos 80 anos. Se chover a média histórica de novembro, teremos 4,5% (nível de água nos reservatórios). Mas pode chover mais ou menos. Não sabemos o que nos espera — afirma Teron, acrescentando que o quadro tem mudado muito rapidamente, já que, em abril, o nível estava entre 38% e 40%.
O projeto de transposição de parte da água do Paraíba do Sul para atender a Região Metropolitana de São Paulo, em discussão na ANA, preocupa os membros do comitê, especialistas e prefeitos de cidades banhadas pelo rio. O temor é que sua aprovação, sem medidas compensatórias, como a construção de novas represas, possa trazer a crise para o Paraíba do Sul. Segundo a vice-presidente do Ceivap, Vera Lúcia Teixeira, a medida sem compensações “afetaria muito o Paraíba do Sul”. Além de uma eventual falta de água, ela alerta para o perigo de propagação de bactérias nocivas à saúde do rio.
Leia a matéria completa em O Globo
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