
11/11/2014
O nível cada vez mais baixo das usinas hidrelétricas, por conta do pouco volume de chuvas no país, e a falta de uma capacidade adicional de gás natural têm feito especialistas defenderem a volta de uma das fontes mais polêmicas e poluentes do mundo: o carvão. De acordo com estudo do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), do Instituto de Economia da UFRJ, e do Instituto Ilumina, o carvão aparece como uma das alternativas para gerar energia elétrica a curto prazo, e, assim, amenizar a atual crise do setor.
Fortemente criticado por ambientalistas, o carvão — que chega a emitir até dez vezes mais gás carbônico (CO2) que uma hidrelétrica, de acordo com o Greenpeace — viu sua importância na matriz passar de 1,6% para 2,6% nos dois últimos anos em decorrência do uso intenso das térmicas. Segundo a Agência Nacional do Energia Elétrica (Aneel), há 22 térmicas a carvão em operação no país hoje e mais dez já autorizadas e prestes a sair do papel. Para especialistas, com isso, há potencial de a fonte fóssil chegar a 3,5% do total gerado.
Mas essa perspectiva pode aumentar já no fim deste mês. No dia 28, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, realiza o leilão A-5, que conta com dez usinas a carvão cadastradas, em uma oferta total de 4.490 megawatts (MW). O número é 34% maior que no leilão ocorrido há um ano, que teve seis projetos cadastrados, no total de 3.340 MW. Se ganharem, os projetos terão de entrar em operação em cinco anos. A maior parte das reservas está concentrada na Região Sul.
— Em função da crise hidrológica, vamos precisar de mais térmicas para atender à demanda. Por isso, a curto prazo o carvão é a fonte mais viável, pois ainda não há oferta de gás disponível para novos projetos. O que vamos ter é o gás do pré-sal, mas isso ainda vai levar tempo, além de todo o desafio logístico de trazer esse gás até a costa. E ainda há a possibilidade de importar carvão, já que seus preços estão em queda por causa do shale gas (gás não convencional dos EUA), que tem melhor qualidade que as reservas do país, no Sul — afirma Nivalde de Castro, coordenador do Gesel.
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