
06/11/2014
A poluição dos carros nas duas maiores metrópoles brasileiras mata mais que os acidentes de trânsito, de acordo com o Instituto Saúde e Sustentabilidade, ligado à USP. O número de mortes atribuídas à poluição no Estado do Rio, em 2011, foi de 4.566, 50% a mais que os óbitos em acidentes de trânsito, que foram 3.044. Em São Paulo a poluição provocou o dobro de mortes, 15.700 frente aos 7.867 do trânsito. Pela projeção do instituto, a poluição em São Paulo ainda vai matar 256 mil pessoas até 2030, mesmo que as emissões caiam 5% ao ano até lá.
Para o Rio, não há projeção, mas os pesquisadores estimam que a má qualidade do ar causou a morte de 14 pessoas, em média, por dia, entre os anos de 2006 e 2012, num total de 36.194. As mortes por poluição também vão ultrapassar os óbitos por câncer de mama, de próstata e por Aids nos dois estados.
E a poluição vem dos carros: em São Paulo, 90%, e no Rio, 77%. O estudo concluiu que a poluição no Estado do Rio ultrapassa em duas vezes o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os parâmetros da OMS chegam a ser três vezes mais rígidos que os do Brasil, que estão totalmente defasados porque foram definidos há 25 anos — afirma a médica Evangelina Motta Pacheco, pesquisadora e diretora do instituto, que realizou o estudo com um dos maiores especialistas na área, o médico e professor titular de Patologia da Faculdade de Medicina da USP Paulo Saldiva.
Em São Paulo, entre as causas mais prováveis de mortes estão doenças respiratórias, como asma e bronquite, e câncer. Já no Rio, são câncer de pulmão, infecções das vias aéreas e pneumonia. O cálculo, conta Evangelina, considerou dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e da OMS.
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