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Cientistas descobrem que gene que ajudou a sobrevivência no Ártico hoje tem impacto negativo na saúde

30/10/2014

Pesquisadores descobriram uma variação genética em indivíduos que vivem no Ártico que surgiu há milhares de anos e, provavelmente, proporcionou uma vantagem evolutiva no processamento de dietas ricas em gordura ou para sobreviver num ambiente frio. No entanto, a variante também parece aumentar o risco de hipoglicemia, ou baixo açúcar no sangue, e a mortalidade infantil em populações do norte de hoje. Os resultados, publicados na revista “American Journal of Human Genetics”, fornecem um exemplo de como uma mudança genética inicialmente benéfica pode ser prejudicial para as gerações futuras.
- Nosso trabalho descreve um caso em que a mesma variante tem provavelmente sido seletivamente vantajosa no passado [mas] desvantajosa em condições ambientais atuais - disse o autor sênior Toomas Kivisild, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Kivisild e seus colegas analisaram os genomas de 25 indivíduos do norte da Sibéria e compararam suas sequências com as de 25 pessoas da Europa e 11 da Ásia Oriental. A equipe identificou uma variante que foi exclusiva para siberianos do Norte e foi localizada dentro do CPT1A, um gene que codifica uma enzima envolvida na digestão de ácidos graxos longos, que são predominantes em dietas à base de carne. Com a agricultura sendo insustentável em regiões árticas, como resultado do ambiente extremamente frio, populações costeiras têm historicamente se alimentado principalmente de mamíferos marinhos.
Quando os investigadores analisaram a distribuição global da variante CPT1A, eles descobriram que ela estava presente em 68% dos indivíduos da população do Norte da Sibéria mas ausente em outros genomas disponíveis publicamente. A variante já foi ligada à alta mortalidade infantil e hipoglicemia em inuítes (nação indígena esquimó) do Canadá, e sua alta freqüência nessas populações tem sido descrita como um paradoxo.
- Os resultados do estudo mostram a importância médica de ter uma compreensão evolutiva do nosso passado e sugerem que os impactos evolutivos sobre a saúde podem ser mais prevalentes do que atualmente é estimado - afirmou o principal autor, Florian Clemente, também da Universidade de Cambridge.

Fonte: O Globo

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