
30/10/2014
Parece um filme de terror do Tea Party, o movimento de extrema-direita americano que tem ojeriza à imigração latina. Lagartos cubanos estão invadindo ilhas da Flórida e afugentando seus parentes dos EUA. Para sobreviver aos exóticos caribenhos, a espécie nativa desenvolveu, em apenas 15 anos, lamelas sobre suas patas. Com isso, conseguiram maior adesão aos galhos e uma escalada segura até locais mais altos e lisos, fora do alcance dos intrusos.
A velocidade da evolução dos lagartos verdes (Anolis carolinensis), da Flórida, impressionou o biólogo Yoel Stuart, pesquisador da Universidade do Texas em Austin.
— A chegada dos lagartos marrons (Anolis sagrei), de Cuba, obrigou a espécie da Flórida a mudar o seu nicho. Se não o fizesse, provavelmente seus filhotes seriam comidos no caminho — conta Stuart, que publicou seu estudo na revista “Science”. — Houve uma pressão muito grande para ele evoluir e se agarrar bem aos galhos, já que o solo estava ocupado pelos cubanos, muito mais populosos.
A equipe de Stuart, reforçada por colaboradores de três universidades americanas, introduziu os lagartos cubanos em três ilhas na Flórida em 1995. Quinze anos depois — tempo equivalente a 20 gerações dos animais —, voltaram e encontraram o ecossistema modificado pela multiplicação dos espécimes cubanos e pela altura na árvore alcançada por seus primos dos EUA.
Professor do Departamento de Ecologia da Uerj, Carlos Frederico Rocha destaca as mudanças impostas pela espécie invasora na comunidade local. Ao chegar ao novo habitat, os lagartos cubanos e os americanos competiram pelos mesmos recursos. Para garantir seus alimentos e a regulação da temperatura corporal, os lagartos da Flórida evoluíram a fim de alcançar as partes superiores de galhos e arbustos, onde não teria adversários.
— Essa mudança só pôde ocorrer pelo surgimento de uma mutação genética, que permitiu o surgimento de lâminas nos dedos — lembra. — A transformação no gene precisa passar de uma geração para outra, até se tornar dominante e garantir o sucesso reprodutivo da espécie.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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