
28/10/2014
Do terraço de casa, a funcionária pública aposentada Maria Helena Gomes da Silva, de 61 anos, observa a enorme indústria, com suas chaminés expelindo uma perene fumaça branca. Há quatro décadas em Santa Cruz, Maria Helena, que sofre com frequentes crises de bronquite alérgica, tem a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) como vizinha desde junho de 2010, quando a pré-operação começou. A gigante da siderurgia até hoje não obteve a licença definitiva do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Depois de vários adiamentos por não cumprimento de exigências ambientais, este ano, mais uma vez, o órgão de fiscalização do estado deu novo prazo à companhia — a que mais emite CO2 na capital, segundo o último levantamento, em 2012 — que, agora, tem até abril de 2016 para regularizar a situação.
Enquanto isso, histórias parecidas com a de Maria Helena são relatadas pelos moradores da região, principalmente ao longo da Avenida João XXIII. E evidenciam uma relação conflituosa entre moradores e a empresa, que produz chapas de aço. De acordo com o Inea, das 127 obrigações ambientais que a companhia deveria cumprir, segundo um termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado em março de 2012, 37 (29% do total previsto) ainda não foram atendidas ou estão inconclusas. Entre as questões não resolvidas, estão a ausência de um estudo que aponte quais são os hidrocarbonetos emitidos pelo setor termelétrico da unidade e a possibilidade de contaminação de águas subterrâneas.
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