
14/10/2014
O imbróglio entre o Ministério Público Federal e a Secretaria estadual do Ambiente sobre as obras de dragagem das lagoas da Zona Oeste pode gerar problemas ainda mais graves para a região. O alerta é do biólogo Mário Moscatelli, que sobrevoou a região na manhã desta quarta-feira. Ele definiu como "morta" a Lagoa da Tijuca, onde existe maior concentração de poluição e sedimentos. O biólogo afirmou que, durante a década de 1960, a lagoa apresentava uma profundidade de até dois metros, mas hoje tornou-se um pântano devido aos impactos ambientais contínuos.
— Não é exagero dizer que a Lagoa da Tijuca morreu, virou um pântano. Hoje 90% dela é lama e lixo. Além do aspecto de natureza ambiental, de você estar aniquilando a biodiversidade da Baixada de Jacarepaguá, que sofre com o crescimento urbano desordenado, há a questão da dragagem, já que quase toda a água que escoa para o mar passa diretamente pela lagoa — afirmou o biólogo, alertando que as consequências do problema podem cobrar um preço caro.
Moscatelli alerta ainda que, com a interrupção no trabalho de recuperação do sistema lagunar, há risco de enchentes e contaminação:
— Pode ser o prenúncio de um alagamento de proporções bíblicas, porque a água que vem do maciço da Tijuca e da Pedra Branca não tem mais para onde escoar.
O trabalho de despoluição das lagoas teve início em agosto, com previsão para conclusão em 30 meses. As obras, com custo de R$ 673 milhões, incluem a dragagem e recuperação ambiental das lagoas de Marapendi, da Tijuca, de Camorim e de Jacarepaguá, além dos canais da Joatinga e de Marapendi; e a ampliação da extensão do píer. O projeto, que faz parte do projeto dos Jogos Olímpicos Rio 2016, só deve ser concluído depois das Olimpíadas.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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