
14/10/2014
O gelo na costa oeste da baía de Hudson sempre derrete no verão, obrigando os ursos polares a nadarem em busca de terra firme.
A imagem de ursos desamparados em blocos de gelo vagando no mar tornou-se um símbolo dos perigos do aquecimento global.
Afinal de contas, o planeta cada vez mais quente significa menos cobertura de gelo no oceano Ártico, deixando os ursos com menos tempo e menos gelo para caçar focas, que são essenciais para sua sobrevivência.
No entanto, eles descobriram uma nova opção no cardápio local: os gansos-das-neves.
Como o gelo está derretendo mais cedo, os ursos têm antecipado sua chegada à costa e se beneficiado disso. Em um estranho efeito colateral da mudança climática, os ursos agora chegam aqui durante uma grande concentração de gansos-das-neves para procriar no verão, antes de os filhotes nascerem e emplumarem.
E com 75 mil pares de gansos-das-neves na península do cabo Churchill, resultado de uma contínua explosão populacional dessas aves, há uma nova e abundante fonte de alimentos para os ursos.
O que é bom para os ursos, porém, é devastador para a vegetação e a paisagem, pois os gansos transformaram grandes extensões de tundra em um lamaçal estéril. Além disso, não se sabe se os ursos continuarão tendo alimentação garantida por muito tempo.
O fato é que esse destino turístico para ver ursos polares no outono se tornou objeto de estudos sobre a mudança climática, em uma mistura de efeitos dominó, intercâmbios e ramificações.
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