
11/09/2014
Uma área quase cinco vezes maior do que a cidade do Rio de Janeiro foi destruída na Amazônia Legal entre agosto de 2012 e julho de 2013. Os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a devastação da mata foi 29% maior do que no período anterior. Trata-se do primeiro aumento do índice nos últimos quatro anos. Ambientalistas temem que o desmatamento ganhe novo pique a partir de agora. Segundo o mapeamento, 5.891km² da cobertura florestal foram derrubados, comparados aos 4.571km² desparecidos entre 2011 e 2012. O aumento do desflorestamento já havia sido diagnosticado em um documento prévio, em novembro do ano passado.
— Se o próximo levantamento confirmar o aumento da devastação da cobertura vegetal, podemos ter um sério problema para retomar o seu controle — alerta Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). — Mas, mesmo que não haja esse crescimento, não podemos nos contentar com um corte de mais de 5 mil quilômetros quadrados de floresta. Ela vai acabar do mesmo jeito, mais rápida ou mais lentamente.
Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Apoio de Política para o Combate ao Desmatamento na Amazônia, órgão do Ministério do Meio Ambiente, admite que é necessário aumentar as operações de fiscalização e de regularização fundiária. Segundo ele, além de prender os grileiros encontrados no campo, é preciso identificar os mandantes das devastações.
O diretor destaca que, embora a Amazônia Legal seja composta por nove estados, 59,1% do desmatamento mapeado ocorreram em apenas dois: Pará e Mato Grosso.
— Dois dos problemas no Pará são a especulação imobiliária e a grilagem em estradas — revela Oliveira. — O aumento do preço do ouro no mercado internacional também aumentou o garimpo na região. No Norte do Mato Grosso, onde estão os grandes produtores de soja, temos que lidar com a expansão da pecuária.
Para Moutinho, a transformação da floresta em pasto é motivada pela demanda internacional por commodities. Há, no entanto, outras questões ignoradas pelo governo.
Para ler a matéria a íntegra, acesse O Globo
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