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Pequena ilha observa a evolução ano a ano

26/08/2014

Charles Darwin passou apenas cinco semanas nas ilhas Galápagos e os biólogos britânicos Peter e Rosemary Grant pretendiam ficar no máximo alguns anos lá.
Eles desembarcaram em 1973 na pequena ilha desabitada de Dafne Menor, o cone de lava de um vulcão extinto. Vale dizer que Darwin nunca esteve por lá. Nesse lugar íngreme há somente uma exígua área plana, suficiente para armar uma barraca.
Conforme eles relatam em seu novo livro, "40 Years of Evolution" (40 anos de evolução), seus objetivos eram estudar tentilhões do gênero Geospiza -as aves que deram a Darwin alguns indícios iniciais sobre a evolução movida pela seleção natural-, e tentar reconstituir parte de sua história evolutiva. Eles, porém, fizeram uma descoberta surpreendente.
Após vários anos de estudos aplicados, os Grant e seus alunos perceberam que as dimensões dos tentilhões estavam mudando diante de seus olhos. Seus bicos e corpos evoluíam e se adaptavam de ano para ano, às vezes de maneira lenta, às vezes radical. Os pesquisadores estavam acompanhando a evolução em tempo real.
Darwin nunca sonhou com essa possibilidade. Em "A Origem das Espécies", ele escreve que embora a seleção natural ocorra em todos os lugares, "nós não vemos essas mudanças lentas acontecendo até que a mão do tempo marque a caducidade das eras".
Os Grant descobriram que o processo desvendado por Darwin era muito mais poderoso do que ele pensava. Então foram estendendo seus estudos na ilha por um tempo cada vez maior. Dafne Menor acabou sendo um teatro perfeito para observar a evolução em ação, pois sua área comportava muitas centenas de tentilhões e permitia que os Grant e seus alunos pudessem reunir, reconhecer e medir quase todas as aves.
O processo descrito por Darwin se revelava diante de seus olhos.
As origens da descoberta mais recente dos Grant remontam a 1981, quando um estranho tentilhão apareceu na ilha. Ele era um híbrido de tentilhão-terrestre de bico médio e de tentilhão-dos-cactos. Sua cabeça era grande e o corpo, robusto. Em outras palavras, era bonito, e os Grant o chamaram de a Grande Ave.

Leia a matéria completa na Folha de São Paulo

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