
05/08/2014
Um grupo de pesquisadores da USP, da Unesp e da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) apontou falhas no estudo de impacto ambiental da ampliação em 45 quilômetros da hidrovia Tietê-Paraná, no Estado de São Paulo.
Segundo eles, se a barragem que ampliará a navegação do rio Piracicaba for construída, o alagamento previsto de 6.770 hectares poderá provocar inundações em áreas urbanas, eliminará remanescentes de mata atlântica e cobrirá uma área de 3,3 mil hectares conhecida como "pantanal paulista", onde vivem 283 espécies animais, entre elas 28 ameaçadas de extinção e 17 aves migratórias.
A barragem que o Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo pretende construir tem orçamento previsto em R$ 670 milhões e um cronograma de obras de três anos. Ela deverá ter 1.390 metros com uma eclusa de 144 metros no rio Piracicaba, na cidade de Santa Maria da Serra, perto da represa de Barra Bonita, que integra os 559 km de hidrovia que vai até a divisa com Mato Grosso do Sul.
Com base em pareceres dos pesquisadores, a promotoria de Justiça da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jaguari enviou um ofício à Cetesb (Companhia Ambiental de São Paulo) dizendo que o estudo de impacto ambiental contém "omissões, deficiências e incongruências".
No ofício, o promotor de Justiça Ivan Carneiro Castanheiro recomenda à Cetesb acatar as ponderações dos pesquisadores ou afastá-las com fundamentação técnica.
Segundo parecer assinado por sete pesquisadores da USP de Piracicaba, coordenado pelo agrônomo Paulo Kageyama, o estudo de impacto ambiental apresentado não é suficiente para cumprir a obrigatoriedade constitucional de apresentar estudos de alternativas técnicas, como a construção de ferrovias.
Para Sílvia Gobbo, professora de ecologia e geociências da Unimep, são insuficientes as análises do estudo sobre a carga de sedimentos no rio Piracicaba. "O estudo usou médias de carga do Estado, que são muito inferiores às do rio." Segundo ela, o nível da água de rios e o risco de enchentes em áreas urbanas se elevam com o aumento da sedimentação.
Fonte: Folha de S. Paulo
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