
29/07/2014
Referência regional para dengue e febre amarela, o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi designado pelo Ministério da Saúde para realizar também o diagnóstico laboratorial de casos suspeitos de febre chikungunya no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.
Comum na África e na Ásia, o vírus começou a se espalhar no Caribe em dezembro do ano passado e, desde então, vem causando epidemias na região. No dia 17 de julho, autoridades americanas divulgaram o primeiro caso de transmissão da doença ocorrido nos Estados Unidos.
A chefe do Laboratório de Flavivírus do IOC, Rita Nogueira, explica que o vírus tem capacidade de se disseminar rapidamente. Por isso, a detecção precoce dos casos é fundamental para conter o avanço da doença. A infecção é considerada de notificação compulsória no Brasil, o que torna obrigatório que os casos suspeitos sejam informados pelos serviços de saúde às autoridades para a adoção de medidas preventivas. Ainda não há transmissão autóctone no país e, até o momento, 20 casos importados foram registrados de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o dia 3 de julho, foram registrados 300 mil casos suspeitos da doença na região do Caribe, com epidemias na República Dominicana, Haiti, Martinica e Guadalupe, além de países da América Central. "O vírus já circula em áreas de fronteira brasileira, como Guiana, Guiana Francesa e Venezuela. Considerando que temos a presença de vetores capazes de transmitir a doença no país, podemos admitir que existe um risco importante", afirma a virologista, lembrando que um estudo coordenado pelo IOC/Fiocruz em parceria com o Instituto Pasteur, da França, mostrou que os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopicuts presentes no Brasil são altamente capazes de propagar a infecção.
A transmissão da febre chikungunya ocorre quando mosquitos se alimentam do sangue de pessoas doentes, contraindo o vírus e, em seguida, picam outros indivíduos. "Na situação atual do Brasil, a vigilância é o fator mais importante. Logo que um caso é diagnosticado, medidas para combate aos vetores devem ser intensificadas na localidade de residência do paciente no sentido de interromper a transmissão do vírus. Se não for possível impedir a disseminação do chikungunya no Brasil, pelo menos podemos trabalhar para diminuir o impacto sobre a população", avalia Rita.
A matéria completa pode ser lida no Jornal da Ciência
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