
15/07/2014
O Brasil possui a segunda maior extensão territorial de manguezais, perdendo apenas para a Indonésia. Eles estão presentes em todo o litoral brasileiro, desde o Amapá até o município de Laguna, em Santa Catarina. Esses ecossistemas, com árvores de raízes aéreas e retorcidas, equilibradas na lama e na água salobra, são fundamentais para o equilíbrio ambiental. Afinal, são verdadeiros berçários naturais de diversas espécies, como peixes, moluscos e crustáceos, que neles encontram condições ideais para reprodução e abrigo. “Os manguezais protegem a costa contra os ventos e a inundação do mar, sendo fontes de subsistência de populações, pela pesca e turismo”, disse o oceanógrafo Mário Luiz Gomes Soares, coordenador do Núcleo de Estudos em Manguezais (Nema) e do programa de pós-graduação em Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Essa riqueza natural, contudo, pode ser comprometida pelas mudanças climáticas em curso no planeta. Para avaliar como o aquecimento global e outros fatores ambientais vêm afetando esses ecossistemas, Soares coordena pesquisas sobre o nível de vulnerabilidade dos manguezais, que tiveram início no estado do Rio de Janeiro, com apoio da FAPERJ, e se ampliaram para outros estados brasileiros, em projetos desenvolvidos com a rede de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Ambientes Marinhos (INCT-AmbTropic), coordenado por pesquisador vinculado à Universidade Federal da Bahia e destinado ao estudo das respostas do litoral brasileiro às mudanças climáticas.
O estudo, considerado como o marco inicial das pesquisas de Soares, vem sendo realizado desde o final da década de 1990, no manguezal de Guaratiba, localizado a cerca de 70 quilômetros a oeste da capital fluminense, na Baía de Sepetiba. Contemplado pela Fundação por meio dos editais Apoio à Pesquisa Básica (APQ 1), Apoio a Programas de Pós-Graduação Estaduais, Prioridade Rio e Apoio ao estudo de soluções para problemas relativos ao meio ambiente, o oceanógrafo foi também bolsista da FAPERJ pelo programa Jovem Cientista do Nosso Estado. O trabalho vem sendo financiado ainda pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O manguezal de Guaratiba é o único no Brasil acompanhado em detalhes por pesquisadores durante um período tão extenso. “Em Guaratiba, nosso primeiro laboratório a céu aberto, observamos o impacto da elevação do nível médio do mar e dos ciclos climáticos sobre os manguezais. A partir desse modelo de estudo, a pesquisa foi ampliada para áreas de monitoramento em todo o Brasil, desde Santa Catarina até o Pará, e outras localidades no estado do Rio de Janeiro, incluindo os manguezais da Baía de Guanabara”, disse.
Leia a notícia na íntegra no site da Faperj
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