
26/06/2014
Bryan T. Pagel, produtor de laticínios, observava o líquido brilhante de esterco de vaca diluído que desaparecia por um ralo. Ao fundo, uma máquina decompunha o esterco e captava um subproduto chamado metano, poderoso gás do efeito estufa. Um enorme motor de escavadeira rugia enquanto queimava o metano para gerar eletricidade, mantendo-o fora da atmosfera.
O aparato de US$ 3,2 milhões também reduz os odores na Granja Ponderosa de Pagel, uma das maiores do Wisconsin. No entanto, ele não teria sido construído sem uma fonte de dinheiro surpreendente: uma iniciativa da Califórnia que investe mesmo além de suas fronteiras em projetos para combater a mudança climática. "Quando eles vieram aqui e nos disseram que queriam nos mandar cheques, ficamos entusiasmados", disse Pagel.
O programa da Califórnia é a última encarnação de um mecanismo conhecido como "cap and trade" [limite e negociação], que surgiu como uma arma básica contra o aquecimento global.
Da China à Noruega, governos de todo o mundo estão exigindo que as indústrias comprem autorizações que lhes permitam emitir níveis predeterminados de gases do efeito estufa. Esses níveis são constantemente reduzidos enquanto o custo das autorizações aumenta, gerando um incentivo econômico para que as empresas cortem as emissões.
O sistema incentiva as empresas a adotar tecnologia de energia mais limpa ou a investir em projetos de controle de emissões externas, como o biodigestor de metano de Pagel. O número de pessoas que vivem em lugares onde há esse sistema está próximo de um bilhão, ou 14% da população mundial.
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