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Despoluição da Baía de Guanabara pode demorar 20 anos, diz ministra do Meio Ambiente

03/06/2014

Sobrevoar a Baía de Guanabara e a Bacia de Jacarepaguá não é uma experiência agradável. A espuma de esgoto e os rios assoreados ao redor mostram como os programas de despoluição estão longe de manifestarem resultados. Sem unidades de tratamento de lixo, as águas que chegam a estes ecossistemas levam dejetos para uma área cada vez maior e degradam a fauna marinha. Ontem, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reconheceu que o problema é “complexo” e que os esforços para limpar a região devem ser contínuos “nos próximos 20 anos”.
— Não é (um problema) trivial. Nenhum país do mundo que recebeu o problema de poluição de rios e de baías fez isso da noite para o dia — ressaltou, em um evento em homenagem à Semana do Meio Ambiente. — Deve haver uma compactuação que transcenda a visão dos governos, o “curto-prazismo”, e uma determinação da sociedade para que (o tema) esteja na agenda de todos os governantes nos próximos 20 anos.
Segundo a ministra, a Baía de Guanabara enfrenta uma situação diferente de décadas atrás. À época, o esgoto vinha, principalmente, de 55 grandes indústrias. Hoje, 49 delas estariam com o impacto controlado. Mas a conexão de bacias hidrográficas e a baía, alinhada com a intensa urbanização, explicariam o cenário atual.

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Izabella ressalta que o programa de despoluição não é uma atribuição exclusiva do governo federal — e, por isso, depende do orçamento de outras esferas do poder público. É preciso ter uma “vontade política comum”, em vez de programas constantemente interrompidos.
— Você tem que ver o que é saneamento, o que é investido, um programa que tem investimento do governo do estado — lembra. — Mas há um compromisso de que vamos recuperar (a baía). Há soluções, mas é necessário um ponderamento da sociedade. Não se pode fazer disso um assunto que para e que começa e que você vai e volta. O Rio tem condições de fazer esse enfrentamento.

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