
20/05/2014
Em recente artigo publicado em 11 de maio, no site da Nature Climate Change, o pesquisador Humberto Marotta, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e seus colaboradores mostraram que lagos da Amazônia podem ser mais sensíveis ao aquecimento global do que lagos suecos.
O trabalho refere-se a um experimento realizado em Uppsala, na Suécia, no final de 2009, que contou com a participação de pesquisadores brasileiros e suecos durante 44 dias. O projeto foi contemplado pela FAPERJ, com Apoio Básico à Pesquisa. Antes do experimento começar, Luana Pinho, na época estudante de doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contemplada com bolsa de doutorado-sanduíche da FAPERJ, coletou água e sedimento de nove lagos na região Amazônica enquanto que ao mesmo tempo, Humberto Marotta – na época realizando pós-doutorado na Universidade de Uppsala – coletava o mesmo tipo de material em lagos suecos. Ao final da coleta de campo, o material amazônico foi levado diretamente para Uppsala onde, com a participação de Humberto, Luana, do professor Alex Enrich Prast, da UFRJ, que é Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, e dos demais pesquisadores suecos, deu-se início ao experimento. Foram preparadas mais de 4.000 incubações com água e sedimento dos lagos de ambas as regiões. O material foi submetido a diferentes temperaturas, desde 4,3 graus Celsius (°C) até 40,5°C, por um período de incubação que variou entre 0 e 44 dias. Depois disso, foi medida a quantidade de gás carbônico (CO2) e metano (CH4) emitida por cada uma das amostras. O sedimento amazônico possui maior quantidade de matéria orgânica, mas também se decompõe mais rápido. Nas regiões frias, essa matéria orgânica permanece preservada no fundo dos lagos.
Durante a preparação do experimento, acreditava-se que os lagos frios teriam maior emissão de gases estufa perante o aquecimento, mas não foi isso que foi observado. Na verdade, ambas as regiões apresentaram valores estatísticos semelhantes em relação ao efeito da temperatura. Ao se estimar as possíveis emissões com os valores encontrados no experimento de acordo com as previsões de aquecimento global do IPCC (cenário B1 – aumento das emissões de gases estufa até a metade do século com posterior redução), encontrou-se estimativas até três vezes mais elevadas para as emissões de lagos tropicais.
A pesquisa também teve o apoio da Swedish Foundation for International Cooperation in Research and Higher Education (STINT), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Mais informações na Nature Climate Change
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